Dos Falsos Profetas e a Queda do Estado Laico

Jacques-Louis_David_Patrocle

“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!”

Mateus 7:15-20

Na Bíblia se falam em muitas passagens sobre os falsos profetas, pessoas que professam em nome do deus cristão, que usam da esperança e fé alheia para enganar e ludibriar as pessoas. A Bíblia é bem explicita que aqueles que são falsos profetas estarão condenados. Mas o que eu quero mostrar com esse pequeno texto, sobre a luz da razão (coisa que não está sendo muito utilizada), é a falta de discernimento entre fé, estado e política, fazer um questionamento dos valore de um fenômeno que vem acontecendo no Brasil já algum tempo, das igrejas evangélicas atuando no cenário da política brasileira contemporânea.

Atualmente as igrejas evangélicas vêm tomando espaço dentro da política brasileira, formando alguns partidos e elegendo, com apoio de pastores, deputados para ocupar cargos públicos. Com isso, muitos pastores entram para parlamentos, secretárias, prefeituras e comissões, e é de uma comissão em especifico que irei me ater.

Ontem (quinta-feira, 07/03/2013) o então Pastor Marco Feliciano (PSC) foi eleito para presidente na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, eleito através de muito tumulto e a renuncia de Domingos Dutra (PT). Os que foram contra – movimentos sociais e outros oposicionistas – a promoção da eleição do pastor, foram barrados na porta por seguranças e proibidos entrar na plenária para protestar. Mesmo com um grande tumulto do lado de fora Marco Feliciano foi eleito presidente para comissão. O Pastor Marco Feliciano é acusado por declarações contra os homossexuais e negros, é indiciado pelos crimes de homofobia e estelionato, e mesmo assim foi eleito para uma comissão que defende os direitos civis de uma minoria não representada pelo poder do estado.

Vamos traçar um paralelo dos tempos bíblicos, passando pela Idade Média até os tempos de hoje. Vendo através da história, provando por ela, que estamos fazendo um retrocesso mental na sociedade de hoje.

Hipocrita

Voltando na idéia dos falsos profetas, a Bíblia é bem categórica no cuidado contra esses que professam o nome do senhor cristão falsamente. Utilizam-se dele para ter benefícios próprios e se aproveitar a ignorância de um povo que não tinha esperança a não ser seguir um homem pelo deserto a fora em busca de uma promessa fosse cumprida. Isso gera uma coincidência com os tempos de hoje, aonde várias igrejas pulularam no Brasil, varias delas espalham interpretações diferentes da Bíblia. Uns pregam a teologia da prosperidade, um pastor em particular (Silas Malafaia) vem com este pensamento de que Deus influência na sua vida social financeira. Outro é o Pastor Marco Feliciano que incute na cabeça dos pobres desesperançados, que é necessário fazer um grande “sacrifício” material para alcançar a benção de Deus. E o Pastor Valdomiro Santiago que vende o tijolinho abençoado por R$200,00. Esse tipo de filosofia cristão é um grande escoadouro de dinheiro, usando da palavra divina a promessa de uma vida melhor. Na idade média existia algo bem similar a isso, só que com os católicos. Estes ganhavam grandes quantias de dízimos (não é atoa que hoje eles são donos de muitas propriedades, tendo um país e sua moeda própria) para abençoar soldados de um determinado senhor feudal antes da batalha, ou para abençoar as terras de algum senhor e os pequenos plebeus que viviam nos feudos. No Brasil a população evangélica, vem às igrejas pedindo a graça divina aos pastores pagando dízimos por essa benção. Os dízimos são desde um real até um carro ou uma casa, com a promessa que Deus dará em dobro. Pastores usam da retórica para arrancar até o último centavo de qualquer fiel, sem se envergonhar de um ato manipulador e perverso.

Estes pastores eu os coloco como os falsos profetas (mesmo eu sendo um ateu confesso), utilizam das palavras bíblicas para financiar suas mordomias e através dela controlar o pensamento das massas. Através do dinheiro e do controle estes lideres religiosos tem cada vez mais conquistando espaço dentro do estado. Aqui é que as coisas caminham para uma queda do estado laico. Estes lideres religiosos estão tomando conta do poder estatal de tal forma que já se acham no direito de invocar leis para beneficio próprio. Um exemplo é o passaporte diplomático, que dá direito de livre acesso, sem bloqueio na imigração, em qualquer país. Sendo os mesmo lideres esbravejam aos quadros ventos que estão dando privilégios a mais para homossexuais, negros, mulheres e outras minorias no congresso (minorias eu digo aqueles que não têm uma maior representatividade no Estado). A bancada evangélica vem minando os direitos civis dessas minorias – principalmente dos movimentos LGBT – no intuito que eles estão manchando a instituição da família, da herança, da adoção de crianças, querendo provar o improvável que eles seriam (como disse Feliciano) “um câncer” da sociedade. Vejo isso como o fascismo sempre agiu ter um inimigo em comum para combater, um inimigo que é escolhido para promover uma comoção nacional e irracional e cada vez mais o Brasil caminha para conservadorismo, a cegueira, a estreiteza de um pensamento retrógado e medievalista.

Um estado laico é algo que deveria ser primado dentro da política nacional, religião deveria estar longe dos preceitos essenciais da política. Como na idade média aonde a igreja católica mandava e desmandava como bem entendia, provando leis baseado em questões fé e não na razão. A roda da história provou que essa mistura não é algo benéfico para a sociedade. E os evangélicos caminham para uma mesma estrada, a estrada da intolerância, a estrada do preconceito, a estrada da superstição. Baseado em superstição eles barram leis que dão direitos a vida e igualdade para homossexuais, colocando-os no mesmo patamar de doentes mentais e criminosos. Baseado sempre num livro escrito a dois mil anos atrás que não há pauta cientifico nenhum.

Hoje com o então eleito para a Comissão dos Direitos Humanos e Minorias, Pastor Marco Feliciano, estamos dando um passo para um retrocesso político civil, estamos dando um voto a ignorância e a cegueira. A cada momento que a banca evangélica ganha campo estaremos se aproximando daquele mundo medieval que tanto vemos nos livros e filmes, com a igreja controlando tudo e a todos, queimando e perseguindo quem pensa diferente, lhe concedendo proveitos apenas para si próprios e seguidores.

Neste momento temos que dar luz à razão, dar lugar ao pensamento cientifico que não pode provar tudo, mas consegue alcançar com maior exatidão a natureza das coisas. Está luz da razão que nos guiou até aqui na superação das dificuldades humanas. Só com a reflexão critica é que sairemos das trevas da superstição, junto com a ciência e analise das coisas de forma apurada sem preconceitos é que vamos superar e caminhar para um entendimento de nós mesmo da nossa existência como seres humanos. Caso contrário, caminharemos para a barbárie de uma mentalidade preconceituosa e ignorante.

Aprendendo a Apertar Parafusos

marcel-duchamp

Duchamp (na minha opinião) representa bem essa situação pós-moderna da técnica.

Está semana eu me deparei com uma coisa que já ouvia falar fazia um bom tempo. Uma coisa que é muito pertinente sobre educação superior no Brasil, que vem chamando a minha atenção sobre certos condicionamentos da vida pós-moderna, é o ensino tecnológico “superior” e o ensino acadêmico padrão (ou bacharelado). Hoje em dia, a busca pelo ensino superior vem crescendo principalmente no Brasil, isto por causa de duas situações, a qualificação profissional e a maioria das pessoas querem se sentir “superiores” a nossos pais ou a outras indivíduos que apenas se formaram no ensino médio, se achando imortais perto dos pobres mortais que não tiveram a mesma oportunidade. Um grande equívoco! Porque metade dessas pessoas se acha mais inteligente e capazes por estarem no ensino superior e porque lêem Paulo Coelho, O Segredo, Augusto Cury e outros pseudo-escritores. Mas não vamos discutir aqui o gosto da leitura suspeita e sim falar do momento da educação e sua forma mercadológica de ser usada.

Hoje no Brasil o curso de tecnólogo vem crescendo com grande velocidade, e por dois motivos: um é sua facilidade de aprovação e seu curto período de curso. Enquanto o curso acadêmico de bacharel é mais logo e de difícil aprovação. Além de que nos cursos tecnólogos se tem o conteúdo dirigido para o mercado, para as atualidades requeridas na função do setor. Porém, o que se aprende nele nada mais é que aprender a apertar um parafuso e não a função do parafuso na tal estrutura (além de aprender a apertar o parafuso), não se forma um cientista na área e sim só mais um peão de obras, como um pedreiro sem ensino médio ou um auxiliar de produção de chão de fábrica (não desmerecendo o trabalho dessas funções, é claro), no fim a pessoa se forma – como se diz no linguajar popularmente acadêmico – um peão com diploma. Não tiro o mérito da função social do ensino superior tecnológico, porque ela fecha a lacuna do desemprego estrutural no país, mas isso não é nenhum grande mérito de um país que busca tornar-se desenvolvido educacionalmente. O tecnólogo banaliza certas profissões, transformando certos tipos de trabalho em meras linhas de produção, aonde sempre terá alguém que substituirá o funcionário insatisfeito por outro em busca de trabalho, aceitando um salário baixo que não condiz com o valor real à ser pago.

Um exemplo recente que vem acontecendo é no setor de TI, setor qual antes vinha enfrentando uma série de problemas de qualificação, com o emprego centrado naqueles que possuíam experiência, mesmo sem diploma. Com o “boom” dos tecnólogos, o mercado saturou-se de profissionais diplomados, mas com pouco ou nenhuma experiência ou conhecimento para desenvolvimento de novas tecnologias e processos.

Isto é apenas um exemplo de um setor e existem vários outros com o mesmo problema de vulgarização e saturação na estrutura do trabalho que vem acontecendo no Brasil. O empregador (ou o burguês) vê isso dessa forma: “Se você não quer trabalhar, tem um morto de fome que vai aceitar esse trabalho no seu lugar e vai fazer o trabalho do mesmo jeito que você”, marginalizando a profissão e desmerecendo o profissional em si. Atualmente é algo que acontece muito em muitas empresas. Não desmereço a potência dentro do curso técnico ou tecnólogo, ele vem de, certa forma, para curar uma doença da falta de mão de obra qualificada, contudo quando a doença está curada, não há mais necessidade de mais remédios. Remédios em demasia causa algo muito pior, a overdose.

Muitos de nós precisam ver tudo isso de um outro ângulo, enxergar que não temos que nos limitar em ser apenas apertadores de parafusos, deixar de sermos só mão de obra qualificada, caindo na mediocridade. É necessário que nos tornamos algum além disso, temos que nos converter em cientistas, nos transformar em seres além da qualificação, sermos seres pensantes, seres aqueles que  transformam a realidade. São cientistas que transformaram e transformam o mundo, tornando-o mais compreendido e menos supersticioso. Não temos que ser medíocres com nossa educação, não temos que ser apenas peões no tabuleiro, podemos ser todos reis, e são reis que transformam o mundo.

Senso Comum, Midia e Alienação

Faz um bom tempo que eu estou querendo escrever sobre esse assunto. Queria aguardar um pouco mais para poder escrever sobre isso, para me sentir seguro do que iria escrever e acho que agora é o momento que prova muitas coisas que penso e falo, sobre o senso comum, mídia e alienação. O senso comum é manipulado pela mídia, que a tal opinião pública na verdade não existe, é pura reprodução do que está na televisão, revista e jornais de ampla distribuição. Sendo no fim, as pessoas se limitando ao que apenas vê nesses meios de comunição e nunca buscando mais informações. Tornam-se limitadas e no fim tudo isso vira ignorância e preconceito ao que é diferente.

Vamos começar explanando sobre alguns acontecimentos importantes que viraram notícias nesses último 6 meses. Começando com a cobertura sobre a invasão da reitoria da USP, pela causa da prisão de alguns jovens por fumarem maconha no campus.

O caso da USP

Em 2011 houve a invasão da reitoria da USP pelos estudantes, na sua maioria da área de humanas. Na mídia da “opinião pública” noticiaram que tudo começou com a prisão de três estudantes que portavam ou fumavam (a parte do “fumavam” nunca ficou clara) maconha no campus. Quando houve a prisão deu inicio a confusão no campus, policia de um lado e estudantes de outro, assim ocasionando uma batalha campal, acabando com gás lacrimogêneo, cassetetes e feridos. Cuminando com isso a invasão da reitoria.

Agora vamos com o que a mídia de grande circulação noticiou e com o que se sabe que realmente aconteceu.

Realmente houve confusão pela prisão dos estudantes portando maconha, uns dizem que a policia foi truculenta e outros dizem que não, que ela só estava cumprindo com o seu papel. Porém este ponto está meio escuro, ninguém na verdade sabe o que aconteceu exatamente e não há como se ater nisso. A midia de grande circulação noticiou que a invasão só aconteceu porque os estudantes queriam a liberação da maconha dentro do campus. Ledo engano para quem pensa assim. Claro que havia estudantes que queriam a liberação da maconha, não iremos ser hipocritas nesse ponto, mas a real motivação da invasão vem de muito mais acontecimentos anteriores.

Está situação vem se arrastando desde 2006 com a invasão da reitoria pelos alunos, isso ocasionado pela a não eleição que teve na USP. O reitor João Grandino Rodas foi colocado dentro da reitoria, não tendo uma votação democrática,  como Alckmin dizia sobre “uma aula de democracia” nesta última invasão, resumindo, ele assumiu a cadeira de reitor ilegitimamente. Com isso houve um protesto dos estudantes da USP contra tal fato e no fim, terminou com a policia invadindo o campus e distribuindo cacetadas e gás lacrimogêneo contra os estudantes, autorizado pelo reitor. Detalhe importante Rodas é considerada persona non grata na universidade de São Francisco da faculdade de direito, por mais variados motivos arbitrários. Um destes motivos foi de uma repressão de um manifesto pacifico de estudantes do curso de direito. Rodas autorizou a policia entrar no campus e prender os manifestantes. Além disso está intimamente envolvido com a ditadura militar e com desaparecidos na época, fora várias acusações de corrupções e desvio de verba. A prisão dos estudantes  foi apenas o estopim para tudo que estava sendo acumulado de alguns anos, precisou de um pouco de fogo e assim o barril explodiu e acabou com a invasão da reitoria pelos estudantes da USP.

A midia adorou o episódio e começou a noticia-la como sendo um manifesto pró-maconha, mostrando faixas de estudantes brandindo alguns cartazes pela legalização da maconha e só focando alguns estudantes que apenas queriam fumar seu baseado em paz. Mas quem estivesse lá via que a coisa era bem diferente, tinha muitos cartazes contra o reitor e as reformas institucionais arbitrárias impostas pelo governo, havia muitos estudantes querendo uma universidade mais democrática e que fosse de de fácil acesso para todas as camadas sociais, principalmente pelas camadas mais baixas. A rede Globo queria colocar os estudantes invasores como maconheiros, filhinhos de papai que queriam se passar por revolucionários, como se fosse meros desocupados.  No fim tudo acabou com a humilhação publica dos estudantes com a desocupação da reitoria feita pela policia, sendo que só a rede Globo teve acesso primeiro ao local, falando que foi tudo muito “tranquilo”. Assim o senso comum adotou o velho discuso conservador: Que esses estudantes tem que tomar pau da policia mesmo; bando de maconheiros; despertando alguns outros conservadores furiosos das redes sociais, que repetiam as mesmas coisas. Mais uma vez o senso comum caminhou para o conservantismo e se limitou no que a midia noticiou e não procurou além disso, vendando os próprios olhos para a verdade.

Caso Pinheirinho

Esse é o mais recente e muitos devem se lembrar bem como que foi a desocupação do Pinheirinho. Foi um espetáculo televisivo acompanhado pelo Brasil inteiro, com a policia despejando todos os moradores que já viviam à 8 anos no local, e mais uma vez, quem teve acesso ao local foi a famosa rede Globo, que tiveram um carro de uma associada incendiado. Quando foi transmitido a notícia, apenas foi mostrado que o Governo de São Paulo só estava cumprindo com o seu papel como estado e cumprindo a “lei”. O que poucas sabem que o ato de despejo foi suspensa pelo TRF (Tribunal Regional Federal) e o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, comentou que a policia cometeu um grave erro em dar continuidade no processo.

Vou comentar alguns pontos sobre a situação do despejo, mostrar alguns fatos que não foi para os grandes noticiários.

Um ponto foi já dito anteriormente, que é sobre a suspensão do TRF. Conversei com um amigo que esteve lá, perguntei sobre se chegava conta de luz, água e sabe qual foi a resposta, “sim, sempre chegava as contas nas casas dos moradores”, se chegava as contas como o governo de SP e os orgãos não fizeram um acordo para legalizar a situação do local? Simples. Interesse da elite. O estado não queria legalizar porque queria reaver o dinheiro perdido com a Selecta S/A (massa falida), não havia interesse em legalizar o local para elite. Sendo legalizado o estado ganharia muito mais com o IPTU arrecadado. Mas não houve diáologo da parte da prefeitura, nem do governo de SP. Seu interesse estava em despejar mais de 8 mil pessoas, e passar o terreno para uma empresa privada, visando só o interesse da elite e dos próprio bolsos.

Um fotografo de outro jornal de menor circulação conseguiu se infiltrar no meio da desocupação e começou a tirar várias fotos do conflito entre policia e moradores. Várias fotos mostravam policiais com fardas sem identificações, usando luvas pretas e armas de fogo em punho (detalhe, as armas não estavam municiadas com projeteis de borracha), e usando da truculencia para desocupar moradores que não queriam abandonar suas casas. Quando a policia se deu conta que não era um jornalista com carta branca para tirar fotos a policia começou a perseguição do fotografo que felizmente conseguiu escapar e as fotos foram para em alguns sites, mas nem todos sabem delas. Foram ofuscadas pelas “espetaculares imagens” da rede Globo e Cia.

Agora temos o aparecimento de abuso sexual da policia denunciados por Eduardo Suplicy, e relatodos por moradores. Depois de muita culpa jogada nas costas um do outro, apareceu os policiais que tinham cometido os abusos sexuais. E a televisão (para fazer a sua parte) deram uma pequena nota para noticiar, mas sem o espetáculo como no foi no Pinheirinho.

Caso da Greve dos Policiais na Bahia

Sobre esse assunto vou ser breve, já que é o mais recente de todos. O carnaval na Bahia foi quase que sabotado pelos policiais grevistas. Está greve foi um prato cheio para a rede Globo, Record, Band e SBT, porém a Globo foi a que teve o maior acesso as informações e conseguiu noticiar a situação com a maior cobertura, e com sua “imparcialidade”. Mais um vez os grevistas foram colocados como os “comunistas comedores de criançinhas”, petistas (ou para alguns pelegos) e vagabundos que não tem nada para fazer. Tudo foi noticiado de um lado da questão, do lado do estado da Bahia, não sendo visto o lado dos policiais de greve. O pior de tudo foi mostrar que os grevistas estavam usando as famílias como um tipo de escudo para a ocupação da Assembleia Legislativa, além disso, a greve foi considerada ilegal, e algum tempo depois alguns policiais foram presos por fometarem a greve no RJ e SP.

Primeiramente greve é direito constitucional de todo o trabalhador, sendo ele de empresa privada ou pública, então aonde está o direito da greve? Se o sindicato da categoria não apoiar a greve, porém, se 75% (essa informção não é exata, mas é assim que funciona) aderir a greve, a greve se torna legitima. Prender policiais por fomentar greve é contra lei e é o direito do trabalhador de expressar sua insatifação sobre o trabalho exercido que é mau remunerado. Isso são fatos que ilustram bem como podemos ser miopes sobre certas coisas noticiadas. Nada é o que parece ser.

Do senso comum à alienação

Nosso problema começa com a criação dos grandes meios de comunicação modernos aqui no Brasil. Na ditadura militar a rede Globo cresceu (cresceu pois era a única que tinha equipamentos de ponta – que só existiam nos EUA e Europa – numa época em que importações eram vetadas. Como conseguiam tais equipamentos se não pelas mãos do governo?) e aproveitou o momento para se impor como a mídia de imparcialidade, noticiando os principais fatos, querendo mostrar a opinião pública. O senso comum, a massa, como não tendo muita “opção” em que acreditar, preferiram acreditar na mídia. Naquele tempo a mídia, de certa forma, era de confiança. Com a ditadura militar muita coisa mudou. Há quem diga que foi culpa dos militares, mas não, foi tudo orquestrado pela elite brasileira e estrangeira. Tudo por causa da “infestação vermelha”.  Inclusive a queda da ditadura e as diretas já foram fomentadas pela Globo, baseada em interesses pessoais…digamos assim, um cara subiu em uma cadeira, juntou um bando de caras pintadas e tirou uma foto que circulou o país, fazendo com que mais e mais pessoas aderissem ao movimento.

Hoje nos tempos mais conteporâneos as coisas não são muito diferentes quanto a isso. A massa continua sendo apática as coisas além de suas casas, não se interessam por nada que não seja da sua vida particular, sempre delegando os seus diretos a outros, e principalmente acreditando no quê é noticiado por ai nos grandes meios de comunicação. Fazendo que o seu senso comum seja alienado e manipulado por mais variadas mentiras, como diz aquele ditado nazista: “Uma mentira repetida várias vezes, se torna verdade”. Mesmo que essa verdade não pertença a realidade dos fatos. Em parte isso não é culpa das pessoas, porque os meios de informação pertencem aos grandes empresários, a culpa do senso comum adotado pela massa é a sua indiferença sobre as coisas que os rodeiam, deixando-as omissas, e o pior tipo de pessoa não é a que tem uma posição, pois essas você sabe aonde estão e o que pensam, mas as omissas, das quais você não sabe nada e podem falhar, dar as costas nos momentos mais cruciais. Este senso comum tem que acordar para verdade, olhar além dos muros que os cercam, se livrar dos grilhões da alienação, deixar de serem apenas gado indo para o matodouro. Devemos buscar novas alternativas para nos informar sobre os fatos, hoje com a internet há como fazer isso. Nem tudo pode-se confiar, mas buscando com cuidado, indo além e usando um pouco de intuição para buscar as informações necessárias sobre os fatos.

Enquanto muitos de nos ficarmos apáticos, nada vai mudar e normalmente vai piorar. Como foi visto no caso Pinheirinho, tudo o que aconteceu lá é um resquicio de ditadura militar, que sempre está a espreita para emergir novamente, com auxilio da mídia a fomentar esses alicerces baseados em “ordem e cumprimento da lei”. O senso comum tem que ser mudado, para não cair nas mentiras que são repetidas pelas redes de notícias que dizem expressar a opinião pública, essa mudança começa começa com a dúvida, questionando, buscando outros meios de saber os fatos, pois assim sairá da alienação e irá ver através dos muros. Questione toda autoridade!

Indicação de um jornal que mostra o outro lado (leiam!): Vice

Uma Nova Caça as Bruxas

O cigarro a muito tempo atrás foi símbolo de status, algo elegante e bonito. Não era atoa que muitas figuras importantes fumavam, como: Orson Wells, Marilyn Monroe,  Jean Paul Sartre, entre outros. Podendo fumar livremente em qualquer lugar, até mesmo apresentando um tele jornal, como no filme “Boa noite, Boa sorte”. Hoje as coisas mudaram, hoje o cigarro é o arquinimigo da sociedade. Os “bons cidadãos” querem que os fumantes parem de fumar e que o cigarro seja banido dela. Concordo que nem todos gostam de fumar ou ficar respirando fumaça, porém, a campanha contra o cigarro anda passando dos limites.

Nos últimos tempos vendo os tele jornais, propagandas em televisão, outdoors e outros tipos de marketing apelativos contra o cigarro. Percebo que se criou uma luta contra o tabagismo que algumas vezes vale até mentir descaradamente para convencer alguém a não fumar. Antes era só pequenas propagandas contra cigarro, sobre seus males e doenças que pode causar, agora, se faz sutilmente (é o que percebo) uma propaganda contra o fumante. Com isso veio uma nova onda de preconceito contra os fumantes. Não duvidaria que tudo isso pode levar a um tipo de ditadura da “boa saúde”, e fumantes sejam maus vistos (o que já acontece de forma sutil) pela sociedade, como párias. Hoje até novelas de televisão fazem apologia contra o cigarro. Agora paramos para pensar, e vejamos os alguns fatos.

De um lado está os fumantes, alguns fumam porque sente um certo prazer, e do outro está os paladinos da saúde que estão contra o cigarro e pelo visto contra os fumantes. Nos últimos tempos há cada vez mais um intolerância contra o fumante, cada vez se faz leis contra os fumantes. Com a desculpa que se faz leis contra o tabagismo para salvar os cidadãos do vício do cigarro, e o velho blá, blá, blá de sempre.

Primeiro começaram com uma divisão dentro de alguns estabelecimentos, com áreas de fumantes e não-fumantes. Depois veio a exclusão destas áreas de fumantes e só poderia fumar ao ar livre, mas existiam alguns lugares como casas noturnas, pub’s, bares e até restaurantes que ainda se autorizava fumar no interior destes. Porém alguns estados adotaram leis contra o uso do cigarro em lugares fechados e os fumantes teriam que sair para fumar, sempre do lado de fora dos ambientes frequentados.

Se o cigarro faz tão mau assim, por que ainda tantas pessoas continuam fumando?  Por que há algumas pessoas mesmo com tanta propaganda contra acabam se tornando fumantes? A resposta é simples : estás propagandas estão perdendo o sentido, suas campanhas não é mais contra o cigarro, o ataque agora é contra o fumante.

Cada vez mais as pessoas criam este preconceito contra os fumantes, pensando que estão se dirigindo contra o cigarro, usando a desculpa que querem salvar o indivíduo contra o vício do cigarro. A verdade é que estas pessoas estão é contra o próprio fumante, não percebem que algumas vezes são impertinentes e se acham no direito de agir de forma indevida com o fumante. Repetindo a mesma ladainha da mídia do senso comum.

Estes tais paladinos da saúde tem que se concientizar que hoje sua luta contra o tabagismo é uma luta que pode passar do limites, sendo que está passando, e está mais canalizada num tipo de preconceito contra o fumante. Algumas vezes eu penso que na verdade esse preconceito contra o fumante é para fechar a lacuna de outros preconceitos que agora são punidos como crimes. Como não existe mais onde os preconceituosos descontarem suas frustrações, elas descontam seu preconceito contra o fumante. É algo a se pensar.