Dos Falsos Profetas e a Queda do Estado Laico

Jacques-Louis_David_Patrocle

“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!”

Mateus 7:15-20

Na Bíblia se falam em muitas passagens sobre os falsos profetas, pessoas que professam em nome do deus cristão, que usam da esperança e fé alheia para enganar e ludibriar as pessoas. A Bíblia é bem explicita que aqueles que são falsos profetas estarão condenados. Mas o que eu quero mostrar com esse pequeno texto, sobre a luz da razão (coisa que não está sendo muito utilizada), é a falta de discernimento entre fé, estado e política, fazer um questionamento dos valore de um fenômeno que vem acontecendo no Brasil já algum tempo, das igrejas evangélicas atuando no cenário da política brasileira contemporânea.

Atualmente as igrejas evangélicas vêm tomando espaço dentro da política brasileira, formando alguns partidos e elegendo, com apoio de pastores, deputados para ocupar cargos públicos. Com isso, muitos pastores entram para parlamentos, secretárias, prefeituras e comissões, e é de uma comissão em especifico que irei me ater.

Ontem (quinta-feira, 07/03/2013) o então Pastor Marco Feliciano (PSC) foi eleito para presidente na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, eleito através de muito tumulto e a renuncia de Domingos Dutra (PT). Os que foram contra – movimentos sociais e outros oposicionistas – a promoção da eleição do pastor, foram barrados na porta por seguranças e proibidos entrar na plenária para protestar. Mesmo com um grande tumulto do lado de fora Marco Feliciano foi eleito presidente para comissão. O Pastor Marco Feliciano é acusado por declarações contra os homossexuais e negros, é indiciado pelos crimes de homofobia e estelionato, e mesmo assim foi eleito para uma comissão que defende os direitos civis de uma minoria não representada pelo poder do estado.

Vamos traçar um paralelo dos tempos bíblicos, passando pela Idade Média até os tempos de hoje. Vendo através da história, provando por ela, que estamos fazendo um retrocesso mental na sociedade de hoje.

Hipocrita

Voltando na idéia dos falsos profetas, a Bíblia é bem categórica no cuidado contra esses que professam o nome do senhor cristão falsamente. Utilizam-se dele para ter benefícios próprios e se aproveitar a ignorância de um povo que não tinha esperança a não ser seguir um homem pelo deserto a fora em busca de uma promessa fosse cumprida. Isso gera uma coincidência com os tempos de hoje, aonde várias igrejas pulularam no Brasil, varias delas espalham interpretações diferentes da Bíblia. Uns pregam a teologia da prosperidade, um pastor em particular (Silas Malafaia) vem com este pensamento de que Deus influência na sua vida social financeira. Outro é o Pastor Marco Feliciano que incute na cabeça dos pobres desesperançados, que é necessário fazer um grande “sacrifício” material para alcançar a benção de Deus. E o Pastor Valdomiro Santiago que vende o tijolinho abençoado por R$200,00. Esse tipo de filosofia cristão é um grande escoadouro de dinheiro, usando da palavra divina a promessa de uma vida melhor. Na idade média existia algo bem similar a isso, só que com os católicos. Estes ganhavam grandes quantias de dízimos (não é atoa que hoje eles são donos de muitas propriedades, tendo um país e sua moeda própria) para abençoar soldados de um determinado senhor feudal antes da batalha, ou para abençoar as terras de algum senhor e os pequenos plebeus que viviam nos feudos. No Brasil a população evangélica, vem às igrejas pedindo a graça divina aos pastores pagando dízimos por essa benção. Os dízimos são desde um real até um carro ou uma casa, com a promessa que Deus dará em dobro. Pastores usam da retórica para arrancar até o último centavo de qualquer fiel, sem se envergonhar de um ato manipulador e perverso.

Estes pastores eu os coloco como os falsos profetas (mesmo eu sendo um ateu confesso), utilizam das palavras bíblicas para financiar suas mordomias e através dela controlar o pensamento das massas. Através do dinheiro e do controle estes lideres religiosos tem cada vez mais conquistando espaço dentro do estado. Aqui é que as coisas caminham para uma queda do estado laico. Estes lideres religiosos estão tomando conta do poder estatal de tal forma que já se acham no direito de invocar leis para beneficio próprio. Um exemplo é o passaporte diplomático, que dá direito de livre acesso, sem bloqueio na imigração, em qualquer país. Sendo os mesmo lideres esbravejam aos quadros ventos que estão dando privilégios a mais para homossexuais, negros, mulheres e outras minorias no congresso (minorias eu digo aqueles que não têm uma maior representatividade no Estado). A bancada evangélica vem minando os direitos civis dessas minorias – principalmente dos movimentos LGBT – no intuito que eles estão manchando a instituição da família, da herança, da adoção de crianças, querendo provar o improvável que eles seriam (como disse Feliciano) “um câncer” da sociedade. Vejo isso como o fascismo sempre agiu ter um inimigo em comum para combater, um inimigo que é escolhido para promover uma comoção nacional e irracional e cada vez mais o Brasil caminha para conservadorismo, a cegueira, a estreiteza de um pensamento retrógado e medievalista.

Um estado laico é algo que deveria ser primado dentro da política nacional, religião deveria estar longe dos preceitos essenciais da política. Como na idade média aonde a igreja católica mandava e desmandava como bem entendia, provando leis baseado em questões fé e não na razão. A roda da história provou que essa mistura não é algo benéfico para a sociedade. E os evangélicos caminham para uma mesma estrada, a estrada da intolerância, a estrada do preconceito, a estrada da superstição. Baseado em superstição eles barram leis que dão direitos a vida e igualdade para homossexuais, colocando-os no mesmo patamar de doentes mentais e criminosos. Baseado sempre num livro escrito a dois mil anos atrás que não há pauta cientifico nenhum.

Hoje com o então eleito para a Comissão dos Direitos Humanos e Minorias, Pastor Marco Feliciano, estamos dando um passo para um retrocesso político civil, estamos dando um voto a ignorância e a cegueira. A cada momento que a banca evangélica ganha campo estaremos se aproximando daquele mundo medieval que tanto vemos nos livros e filmes, com a igreja controlando tudo e a todos, queimando e perseguindo quem pensa diferente, lhe concedendo proveitos apenas para si próprios e seguidores.

Neste momento temos que dar luz à razão, dar lugar ao pensamento cientifico que não pode provar tudo, mas consegue alcançar com maior exatidão a natureza das coisas. Está luz da razão que nos guiou até aqui na superação das dificuldades humanas. Só com a reflexão critica é que sairemos das trevas da superstição, junto com a ciência e analise das coisas de forma apurada sem preconceitos é que vamos superar e caminhar para um entendimento de nós mesmo da nossa existência como seres humanos. Caso contrário, caminharemos para a barbárie de uma mentalidade preconceituosa e ignorante.

Quadrinhos: Representação de uma Realidade

Capitão America e o confronto com o Nazismo.

Capitão America e o confronto com o Nazismo.

Os quadrinhos é uma das expressões artísticas vanguardistas (por assim dizer) para representar um dado momento da época, criando-se paralelos com a realidade que cerca o indivíduo ou uma idéia da sociedade, como na literatura de ficção cientifica, há quase sempre um paralelo com a realidade. Porém ainda há muito preconceito contra HQ’s (como na ficção cientifica), com a idéia que este tipo de leitura só serve para crianças e adolescentes ou que só “nerds” lêem este tipo de coisa, não passando de apenas entretenimento. Então irei mostrar como este artigo como esse pensamento pode estar equivocado, como as HQ’s representam um pensamento de uma época e sua realidade no mundo, se debruçando em sua história e dando alguns exemplos de quadrinhos que são muito mais que meras historinhas para crianças. Trançaremos um breve histórico sobre sua evolução e revolução no mundo artístico literário, como estes quadrinhos se tornaram até mesmo a mais alta forma moderna de conceito literário e artístico.

Uma Nova Leitura do Mundo

O conceito moderno de quadrinhos que conhecemos hoje não é o mesmo que havia a tempos atrás. Ele vem evoluindo como a arte e literatura, e muitas vezes, revolucionaram o mundo. A idéia de quadrinhos já existe a muito tempo, desde tempos remotos da humanidade, porém, nunca as consideramos como tal. As pinturas rupestres, os quadros medievais, renascentistas, barrocos e muitos outros nada mais são que um rascunho dos quadrinhos modernos. Digo isso, porque todos eles representavam o cotidiano de uma época, expresso em cores vivas a sua mentalidade do período, com a diferença que não havia os balões de diálogo e sem alguns elementos de literatura (aquela que conhecemos conceitualmente).

A primeira aparição dos quadrinhos modernos foi em maio 1895 num jornal, com o personagem “Menino Amarelo” de Richard Outcault, conquistando notoriedade a idéia de se fazer quadrinhos nos periódicos diários (as famosas tirinhas). Inspirados, outros autores desenvolveram personagens diferenciados, como Beth Poop, Mickey, Tintin, Mandrake e outros tantos. Essa nova dinâmica leitura desenvolveu as revistas pulp (revista impressa em um papel mais barato; pola de celulose), quadrinhos dos mais variados assuntos, que abordavam principalmente fantasia, crimes, histórias de detetives e ficção científica. Estás revistas eram histórias fechadas, com a criação dos clichês modernos e personagens memoráveis. Um desses personagens mais lembrados é O Sombra. Herói dotado de poderes sobrenaturais que utilizava como armas duas Colts 1911, além de seus poderes, era chamado de Cavaleiro da Escuridão (mera semelhança com Batman?). As histórias do Sombra ganharam mais renome quando narradas por Orson Wells no rádio e mais tarde foi realizado adaptações cinematográficas. Os pulp foram o início de uma nova forma de leitura, mas eles não passavam de entretenimento, passatempo para crianças e adolescentes, com o tempo, as revistas em quadrinhos de super-heróis começaram a tomar espaço e os pulp’s foram esquecidos, apesar de que muitos escritores e desenhistas começaram com suas carreiras neles.

No fim da década de 30 os quadrinhos vem como uma nova proposta de divertimento, contudo, seu campo se abrangeu até no mundo das ideologias, tendo sua primeira aparição destes quadrinhos em 1938 no Action Comics trazendo como protagonista o Superman. Isso fez com que os quadrinhos mudassem suas características abraçando uma representação maior do momento histórico. Na década de 40 o mundo entra em conflito com a Segunda Guerra Mundial, de um lado Aliados (EUA, Inglaterra, França, Rússia ou URSS) e do outro o Eixo (Alemanha e Itália) e os quadrinhos tomaram este espírito de guerra. O Capitão América é o precursor dessa propaganda (sendo o maior deles) contra o “Eixo do Mau”, com a famosa capa do Capitão acertando um soco no rosto de Hitler. A função dos quadrinhos nesta época era incentivar os jovens a se alistarem no exército e manter os animo dos soldados nos fronts. Logo uma era (nos quadrinhos) foi vindo após a outra (Era de Prata, Era de Bronze, Era de cobre e assim por diante), fazendo que as idéias dos quadrinhos se renovasse a cada década, transformando a realidade do mundo numa representação nos personagens em suas ambientações em suas histórias. Mas não irei me delongar muito sobre detalhes da história dos quadrinhos, no final do artigo terá uma fonte que pode ser lida para quem tiver interesse sobre esses detalhes. Fiz esse breve histórico para um entendimento melhor sobre o mundo dos quadrinhos e sua representação da realidade. Como um dado momento histórico influência suas histórias.

Vamos nos prender na idéia e essência de representação que os quadrinhos trazem e suas páginas, como ela pode ser uma leitura tão profunda sobre o mundo como nos livros, avaliando seus conceitos como leitura e aprendizado. Assim como nos livros de romances históricos, ficção científica, crimes, policiais, fantasia, filosofia, sociologia e outros estilos, nos quadrinhos há os mesmos assuntos abordados, juntando a arte gráfica como meio para expressar em variados estilos de desenhos a visão do mundo. Para ficar mais fácil as explicações, escolhi algumas obras que considero importantes dos quadrinhos.

Um mundo sem homens.

Um mundo sem homens.

O Mito da Guerra dos Gêneros : Y – The Last Man (Y – O Último Homem da Terra)

Imagine o mundo sendo erradicado de todos os mamíferos machos da Terra, onde todos que tem o cromossomo Y acabam morrendo por causa de um vírus desconhecido que ataca tal gene, e você é o único sobrevivente num mundo aonde só existem mulheres. Seria um paraíso, não é? Você (homem ou mulher) se engana que tudo isso seria um “mar de rosas”. Está é a proposta de Y – O Último Homem da Terra de Brian K. Vaughan, considerado um dos melhores quadrinistas da atualidade. Y tem uma narrativa empolgante e cheia de reviravoltas, seu protagonista é Yorick, um jovem formado em Letras que tem como hobbe ser escapista (exemplo: escapar de uma camisa de força, algemas e etc.), que acaba adotando um macaco chamado Ampersand (Ampersand é o nome deste sinal “&”). Depois do holocausto masculino, apenas Yorick e Ampersand são os únicos mamíferos masculinos vivos e terão que sobreviver em uma Terra dominada por mulheres.

A premissa desta história é simples, mas com o correr dos acontecimentos sua idéia vai se ampliando de uma forma grandiosa, fazendo muitas referências a livros, música, filmes e outros assuntos peculiares. Seu primeiro circulo de história é uma crítica muito bem elaborada ao feminismo extremista. Mostrando o quão pior pode ser uma feminista quanto o homem machista, porém mostra em outros momentos, como mulheres podem ser auto-suficientes e independentes, quebrando aquele velho paradigma que a mulher depende do homem para tudo – coisa que na nossa sociedade atual ainda existe, derrubando o mito da da guerra de generos. Yorick, durante a sua viagem para encontrar a sua namorada (que está na Austrália), conhece os mais variados tipos de mulheres, boas e más, feias e belas, corajosas e medrosas e assim por diante. No decorrer da história nos deparamos com muitas facetas da mulher e sua identidade num mundo sem homens, tendo que reerguer um novo mundo mergulhado numa desordem caótica, redescobrindo um mundo “sem a quase” presença masculina. Desesperador? Pode até ser, mas Y é uma grande ópera dramática de quem acha que um mundo dominado por mulheres seria o paraíso ou não.

Uma narrativa de linguagem nada linear.

Uma narrativa de linguagem nada linear.

A Guerra Invisivel Contra a Alienação – Os Invisíveis

Caos, anarquismo, revolução, misticismo, violência e alienação; essas seriam as palavras que definiria Os Invisíveis de Grant Morrison. Grant Morrison é um dos grandes escritores de quadrinhos para DC, Marvel e Vertigo, sendo responsável por escrever mini séries do Superman, Batman e atualmente Os Novos X-Men. Começou sua carreira de sucesso com Zenith, aonde desconstrói o gênero dos super-heróis, só que seu maior trabalho e muito elogiado pela critica é Os Invisíveis.

Os Invisíveis nos apresenta um mundo dominado pela alienação e conformismo, com uma ração “alienígena” de outra dimensão que move as cordas que nos controlam, e seus antagonistas conhecidos como Os Invisíveis, um grupo anarquista que planeja derrubar essa falsa impressão do mundo, colocada diante dos nossos olhos. Sua história usa dos mais variados artifícios como viagem no tempo, a Revolução Francesa, faz referências a personagens históricos, literatura, música e misticismo, fazendo paralelos com a nossa realidade, demonstrando como está história ficcional se aproxima da nossa realidade. Apesar de sua criação ser na década de 90, sua abordagem nos assuntos sociais é bem atual até hoje, mostrando uma sociedade alienada e cega perante a verdadeira realidade das coisas. Seus personagens são bem peculiares, tendo um adolescente revoltado e destruidor (Jack Frost), um travesti brasileiro ligado ao misticismo inca e asteca (Lord Fany), uma viajante do tempo com poderes psíquicos (Ragged Robin), uma ex-policial que tem o irmão raptado misteriosamente pela ração alienígena de outra dimensão (Boy) e um assassino com poderes mágicos (King Mob). Cada personagem tem sua importância no desenvolvimento da história, fazendo com que a história tome certas direções. A narrativa de Os Invisíveis não é linear, algumas vezes soa confusa, porém, se você tiver uma leitura mais apurada, irá perceber que há muito mais por trás da história do que se imagina.

A descontrução de um conceito de herois.

A descontrução de um conceito de herois.

Os Heróis da Realidade – Wachtmen

Este é a maior e mais bem elaborada graphic novel já criada em todos os tempos (na minha humilde opinião). Por causa desta opera gráfica o formato dos outros quadrinhos mudou completamente, sendo abordado assuntos de esfera adulta, muitas delas com criticas profundas a realidade. Seu escritor é um dos melhores roteiristas para quadrinhos da atualidade, seu nome é Alan Moore. Responsável pela criação de outras histórias de sucesso como Monstro do Pântano, Miracleman e outra de grande importância V de Vingança.

Wachtmen narra a história de um mundo aonde os super-heróis existem realmente na nossa realidade, colocando sua influência em nossas vidas. Tudo se passa nos anos 80, os EUA ganha a guerra do Vietnam graças a ajuda do Dr. Manhattan (que seria uma espécie de super-homem), Nixon é reeleito presidente, mas a Guerra Fria continua acirrada entre EUA e URSS. Alan Moore nos transporta para esse mundo que só concebemos na imaginação, heróis falíveis, com suas fraquezas e problemas pessoais, deixando eles mais humanos, desconstruindo aquele herói invencível e moralmente infalível. Quando se vai lendo as páginas, se percebe a similaridade com alguns personagens famosos dos quadrinhos, como por exemplo, o Coruja, que seria o Batman. Além de fazer está referência, Wachtmen mostra algo muito além do que mera historinha em quadrinhos, apresenta várias teorias e filosofia, como a teoria do caos, paradigmas filosófico sobre a existência humana; sua arte também é algo a parte, tanto que uma coisa que chama mais atenção (isso só na versão americana) é a capa, que tem um relógio que marca o inicio da guerra atômica (marcado para meia noite), em cada capa de cada capítulo o relógio vai se aproximando da meia noite. Wachtmen é uma epopéia do ser humano, como aquele que mais admiramos pode ser a pessoal – o herói – pode ter seus valores deturpados e suas fraquezas expostas, e desta desconstrução sair um ser melhor que fora antes.

A cultura pop em evidência.

A cultura pop em evidência.

Reconstruindo a Cultura Pop – Planetary

Este é considerado pela critica como a mais inteligente obra em quadrinhos da atualidade. Mas o porquê desse título? Para isso são duas respostas, começando pelo seu criador Warren Ellis, responsável por criar Trasmetropolitan. RED, Freqüência Global, Authority e outros, e a segunda resposta é que Planetary é uma viagem as coisas do mundo pop, com referências desde livros a filmes do século 20. Fazendo até alguns crossovers como Authority e Liga da Justiça.

O que significa Planetary? Planetary são os arqueólogos do impossível, são aqueles que buscam os mistérios do mundo. Sua história conta com personagens que vão em busca de coisas que não pensamos que existem, como monstros gigantes, fantasmas, viajante de outras dimensões e assim vai uma lista bem grande. Contando com os protagonistas, Elijah Snow, personagem que é recrutado pelo Planetary para buscar os artigos misteriosos; Baterista, que é um “buraco negro de informação”, Jakita, o músculo e velocidade do grupo.

O que mais chama a atenção nos números de Planetary são todos eles são histórias fechadas, com referências aos mais variados filmes, livros, quadrinhos e outras coisas que pertenceram em algum momento ao mundo pop, ou que se tornaram pop. Para mim este quadrinho foi um poço de enciclopédia para buscar novos conhecimentos sobre o mundo, sobre livros esquecidos, que eu comecei a ler, de filmes antigos para assistir, aprender sobre uma filosofia antiga sobre o mundo fantástico e quadrinhos que a muito tempo foram esquecidos e deveriam ser relidos. Planetary é a verdadeira viagem ao mundo esquecido da cultura popular mundial, mais uma vez revitalizado.

Uma obra memorável dos quadrinhos.

Uma obra memorável dos quadrinhos.

Potencializando uma Forma de Literatura

Estes quadrinhos que foram exemplificados, é só uma pequena parcela do que tem por ai no mundo. Eles demonstram a potência dos quadrinhos, na sua melhor forma, fazendo com que a literatura e arte gráfica se abracem de uma forma mais ampla, que também atraia aqueles que não gostam de ler livros para o mundo da leitura. Este não tão novo conceito de leitura pode – como na literatura convencional – fazer crítica política, social, econômica e etc., pode contar histórias fantásticas, contos de ficção cientifica e muitas outras histórias, além de fazer referência de livros, música, personagens importantes de uma dada época. Hoje com o advento das adaptações cinematográficas dos quadrinhos vem ganhando maior visibilidade no mundo, alguns instigado pela curiosidade vão às livrarias procurar as histórias originais comprando os encadernados. Os fãs de longa data dos quadrinhos não vêem com bons olhos as adaptações, acham que não está “fiel”, até mesmo autores – como Alan Moore – não gostam das adaptações de suas obras gráficas. Mas não vejo está situação neste ângulo, vejo que as adaptações (o mesmo serve para adaptações de livros) atrai novos leitores de quadrinhos, com boas adaptações deles poderá ser a alavanca para mostrar a verdadeira face dos quadrinhos como uma nova potência na literatura.

Fonte sobre a História dos Quadrinhos: Fanboy