Dos Falsos Profetas e a Queda do Estado Laico

Jacques-Louis_David_Patrocle

“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!”

Mateus 7:15-20

Na Bíblia se falam em muitas passagens sobre os falsos profetas, pessoas que professam em nome do deus cristão, que usam da esperança e fé alheia para enganar e ludibriar as pessoas. A Bíblia é bem explicita que aqueles que são falsos profetas estarão condenados. Mas o que eu quero mostrar com esse pequeno texto, sobre a luz da razão (coisa que não está sendo muito utilizada), é a falta de discernimento entre fé, estado e política, fazer um questionamento dos valore de um fenômeno que vem acontecendo no Brasil já algum tempo, das igrejas evangélicas atuando no cenário da política brasileira contemporânea.

Atualmente as igrejas evangélicas vêm tomando espaço dentro da política brasileira, formando alguns partidos e elegendo, com apoio de pastores, deputados para ocupar cargos públicos. Com isso, muitos pastores entram para parlamentos, secretárias, prefeituras e comissões, e é de uma comissão em especifico que irei me ater.

Ontem (quinta-feira, 07/03/2013) o então Pastor Marco Feliciano (PSC) foi eleito para presidente na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, eleito através de muito tumulto e a renuncia de Domingos Dutra (PT). Os que foram contra – movimentos sociais e outros oposicionistas – a promoção da eleição do pastor, foram barrados na porta por seguranças e proibidos entrar na plenária para protestar. Mesmo com um grande tumulto do lado de fora Marco Feliciano foi eleito presidente para comissão. O Pastor Marco Feliciano é acusado por declarações contra os homossexuais e negros, é indiciado pelos crimes de homofobia e estelionato, e mesmo assim foi eleito para uma comissão que defende os direitos civis de uma minoria não representada pelo poder do estado.

Vamos traçar um paralelo dos tempos bíblicos, passando pela Idade Média até os tempos de hoje. Vendo através da história, provando por ela, que estamos fazendo um retrocesso mental na sociedade de hoje.

Hipocrita

Voltando na idéia dos falsos profetas, a Bíblia é bem categórica no cuidado contra esses que professam o nome do senhor cristão falsamente. Utilizam-se dele para ter benefícios próprios e se aproveitar a ignorância de um povo que não tinha esperança a não ser seguir um homem pelo deserto a fora em busca de uma promessa fosse cumprida. Isso gera uma coincidência com os tempos de hoje, aonde várias igrejas pulularam no Brasil, varias delas espalham interpretações diferentes da Bíblia. Uns pregam a teologia da prosperidade, um pastor em particular (Silas Malafaia) vem com este pensamento de que Deus influência na sua vida social financeira. Outro é o Pastor Marco Feliciano que incute na cabeça dos pobres desesperançados, que é necessário fazer um grande “sacrifício” material para alcançar a benção de Deus. E o Pastor Valdomiro Santiago que vende o tijolinho abençoado por R$200,00. Esse tipo de filosofia cristão é um grande escoadouro de dinheiro, usando da palavra divina a promessa de uma vida melhor. Na idade média existia algo bem similar a isso, só que com os católicos. Estes ganhavam grandes quantias de dízimos (não é atoa que hoje eles são donos de muitas propriedades, tendo um país e sua moeda própria) para abençoar soldados de um determinado senhor feudal antes da batalha, ou para abençoar as terras de algum senhor e os pequenos plebeus que viviam nos feudos. No Brasil a população evangélica, vem às igrejas pedindo a graça divina aos pastores pagando dízimos por essa benção. Os dízimos são desde um real até um carro ou uma casa, com a promessa que Deus dará em dobro. Pastores usam da retórica para arrancar até o último centavo de qualquer fiel, sem se envergonhar de um ato manipulador e perverso.

Estes pastores eu os coloco como os falsos profetas (mesmo eu sendo um ateu confesso), utilizam das palavras bíblicas para financiar suas mordomias e através dela controlar o pensamento das massas. Através do dinheiro e do controle estes lideres religiosos tem cada vez mais conquistando espaço dentro do estado. Aqui é que as coisas caminham para uma queda do estado laico. Estes lideres religiosos estão tomando conta do poder estatal de tal forma que já se acham no direito de invocar leis para beneficio próprio. Um exemplo é o passaporte diplomático, que dá direito de livre acesso, sem bloqueio na imigração, em qualquer país. Sendo os mesmo lideres esbravejam aos quadros ventos que estão dando privilégios a mais para homossexuais, negros, mulheres e outras minorias no congresso (minorias eu digo aqueles que não têm uma maior representatividade no Estado). A bancada evangélica vem minando os direitos civis dessas minorias – principalmente dos movimentos LGBT – no intuito que eles estão manchando a instituição da família, da herança, da adoção de crianças, querendo provar o improvável que eles seriam (como disse Feliciano) “um câncer” da sociedade. Vejo isso como o fascismo sempre agiu ter um inimigo em comum para combater, um inimigo que é escolhido para promover uma comoção nacional e irracional e cada vez mais o Brasil caminha para conservadorismo, a cegueira, a estreiteza de um pensamento retrógado e medievalista.

Um estado laico é algo que deveria ser primado dentro da política nacional, religião deveria estar longe dos preceitos essenciais da política. Como na idade média aonde a igreja católica mandava e desmandava como bem entendia, provando leis baseado em questões fé e não na razão. A roda da história provou que essa mistura não é algo benéfico para a sociedade. E os evangélicos caminham para uma mesma estrada, a estrada da intolerância, a estrada do preconceito, a estrada da superstição. Baseado em superstição eles barram leis que dão direitos a vida e igualdade para homossexuais, colocando-os no mesmo patamar de doentes mentais e criminosos. Baseado sempre num livro escrito a dois mil anos atrás que não há pauta cientifico nenhum.

Hoje com o então eleito para a Comissão dos Direitos Humanos e Minorias, Pastor Marco Feliciano, estamos dando um passo para um retrocesso político civil, estamos dando um voto a ignorância e a cegueira. A cada momento que a banca evangélica ganha campo estaremos se aproximando daquele mundo medieval que tanto vemos nos livros e filmes, com a igreja controlando tudo e a todos, queimando e perseguindo quem pensa diferente, lhe concedendo proveitos apenas para si próprios e seguidores.

Neste momento temos que dar luz à razão, dar lugar ao pensamento cientifico que não pode provar tudo, mas consegue alcançar com maior exatidão a natureza das coisas. Está luz da razão que nos guiou até aqui na superação das dificuldades humanas. Só com a reflexão critica é que sairemos das trevas da superstição, junto com a ciência e analise das coisas de forma apurada sem preconceitos é que vamos superar e caminhar para um entendimento de nós mesmo da nossa existência como seres humanos. Caso contrário, caminharemos para a barbárie de uma mentalidade preconceituosa e ignorante.

Quadrinhos: Representação de uma Realidade

Capitão America e o confronto com o Nazismo.

Capitão America e o confronto com o Nazismo.

Os quadrinhos é uma das expressões artísticas vanguardistas (por assim dizer) para representar um dado momento da época, criando-se paralelos com a realidade que cerca o indivíduo ou uma idéia da sociedade, como na literatura de ficção cientifica, há quase sempre um paralelo com a realidade. Porém ainda há muito preconceito contra HQ’s (como na ficção cientifica), com a idéia que este tipo de leitura só serve para crianças e adolescentes ou que só “nerds” lêem este tipo de coisa, não passando de apenas entretenimento. Então irei mostrar como este artigo como esse pensamento pode estar equivocado, como as HQ’s representam um pensamento de uma época e sua realidade no mundo, se debruçando em sua história e dando alguns exemplos de quadrinhos que são muito mais que meras historinhas para crianças. Trançaremos um breve histórico sobre sua evolução e revolução no mundo artístico literário, como estes quadrinhos se tornaram até mesmo a mais alta forma moderna de conceito literário e artístico.

Uma Nova Leitura do Mundo

O conceito moderno de quadrinhos que conhecemos hoje não é o mesmo que havia a tempos atrás. Ele vem evoluindo como a arte e literatura, e muitas vezes, revolucionaram o mundo. A idéia de quadrinhos já existe a muito tempo, desde tempos remotos da humanidade, porém, nunca as consideramos como tal. As pinturas rupestres, os quadros medievais, renascentistas, barrocos e muitos outros nada mais são que um rascunho dos quadrinhos modernos. Digo isso, porque todos eles representavam o cotidiano de uma época, expresso em cores vivas a sua mentalidade do período, com a diferença que não havia os balões de diálogo e sem alguns elementos de literatura (aquela que conhecemos conceitualmente).

A primeira aparição dos quadrinhos modernos foi em maio 1895 num jornal, com o personagem “Menino Amarelo” de Richard Outcault, conquistando notoriedade a idéia de se fazer quadrinhos nos periódicos diários (as famosas tirinhas). Inspirados, outros autores desenvolveram personagens diferenciados, como Beth Poop, Mickey, Tintin, Mandrake e outros tantos. Essa nova dinâmica leitura desenvolveu as revistas pulp (revista impressa em um papel mais barato; pola de celulose), quadrinhos dos mais variados assuntos, que abordavam principalmente fantasia, crimes, histórias de detetives e ficção científica. Estás revistas eram histórias fechadas, com a criação dos clichês modernos e personagens memoráveis. Um desses personagens mais lembrados é O Sombra. Herói dotado de poderes sobrenaturais que utilizava como armas duas Colts 1911, além de seus poderes, era chamado de Cavaleiro da Escuridão (mera semelhança com Batman?). As histórias do Sombra ganharam mais renome quando narradas por Orson Wells no rádio e mais tarde foi realizado adaptações cinematográficas. Os pulp foram o início de uma nova forma de leitura, mas eles não passavam de entretenimento, passatempo para crianças e adolescentes, com o tempo, as revistas em quadrinhos de super-heróis começaram a tomar espaço e os pulp’s foram esquecidos, apesar de que muitos escritores e desenhistas começaram com suas carreiras neles.

No fim da década de 30 os quadrinhos vem como uma nova proposta de divertimento, contudo, seu campo se abrangeu até no mundo das ideologias, tendo sua primeira aparição destes quadrinhos em 1938 no Action Comics trazendo como protagonista o Superman. Isso fez com que os quadrinhos mudassem suas características abraçando uma representação maior do momento histórico. Na década de 40 o mundo entra em conflito com a Segunda Guerra Mundial, de um lado Aliados (EUA, Inglaterra, França, Rússia ou URSS) e do outro o Eixo (Alemanha e Itália) e os quadrinhos tomaram este espírito de guerra. O Capitão América é o precursor dessa propaganda (sendo o maior deles) contra o “Eixo do Mau”, com a famosa capa do Capitão acertando um soco no rosto de Hitler. A função dos quadrinhos nesta época era incentivar os jovens a se alistarem no exército e manter os animo dos soldados nos fronts. Logo uma era (nos quadrinhos) foi vindo após a outra (Era de Prata, Era de Bronze, Era de cobre e assim por diante), fazendo que as idéias dos quadrinhos se renovasse a cada década, transformando a realidade do mundo numa representação nos personagens em suas ambientações em suas histórias. Mas não irei me delongar muito sobre detalhes da história dos quadrinhos, no final do artigo terá uma fonte que pode ser lida para quem tiver interesse sobre esses detalhes. Fiz esse breve histórico para um entendimento melhor sobre o mundo dos quadrinhos e sua representação da realidade. Como um dado momento histórico influência suas histórias.

Vamos nos prender na idéia e essência de representação que os quadrinhos trazem e suas páginas, como ela pode ser uma leitura tão profunda sobre o mundo como nos livros, avaliando seus conceitos como leitura e aprendizado. Assim como nos livros de romances históricos, ficção científica, crimes, policiais, fantasia, filosofia, sociologia e outros estilos, nos quadrinhos há os mesmos assuntos abordados, juntando a arte gráfica como meio para expressar em variados estilos de desenhos a visão do mundo. Para ficar mais fácil as explicações, escolhi algumas obras que considero importantes dos quadrinhos.

Um mundo sem homens.

Um mundo sem homens.

O Mito da Guerra dos Gêneros : Y – The Last Man (Y – O Último Homem da Terra)

Imagine o mundo sendo erradicado de todos os mamíferos machos da Terra, onde todos que tem o cromossomo Y acabam morrendo por causa de um vírus desconhecido que ataca tal gene, e você é o único sobrevivente num mundo aonde só existem mulheres. Seria um paraíso, não é? Você (homem ou mulher) se engana que tudo isso seria um “mar de rosas”. Está é a proposta de Y – O Último Homem da Terra de Brian K. Vaughan, considerado um dos melhores quadrinistas da atualidade. Y tem uma narrativa empolgante e cheia de reviravoltas, seu protagonista é Yorick, um jovem formado em Letras que tem como hobbe ser escapista (exemplo: escapar de uma camisa de força, algemas e etc.), que acaba adotando um macaco chamado Ampersand (Ampersand é o nome deste sinal “&”). Depois do holocausto masculino, apenas Yorick e Ampersand são os únicos mamíferos masculinos vivos e terão que sobreviver em uma Terra dominada por mulheres.

A premissa desta história é simples, mas com o correr dos acontecimentos sua idéia vai se ampliando de uma forma grandiosa, fazendo muitas referências a livros, música, filmes e outros assuntos peculiares. Seu primeiro circulo de história é uma crítica muito bem elaborada ao feminismo extremista. Mostrando o quão pior pode ser uma feminista quanto o homem machista, porém mostra em outros momentos, como mulheres podem ser auto-suficientes e independentes, quebrando aquele velho paradigma que a mulher depende do homem para tudo – coisa que na nossa sociedade atual ainda existe, derrubando o mito da da guerra de generos. Yorick, durante a sua viagem para encontrar a sua namorada (que está na Austrália), conhece os mais variados tipos de mulheres, boas e más, feias e belas, corajosas e medrosas e assim por diante. No decorrer da história nos deparamos com muitas facetas da mulher e sua identidade num mundo sem homens, tendo que reerguer um novo mundo mergulhado numa desordem caótica, redescobrindo um mundo “sem a quase” presença masculina. Desesperador? Pode até ser, mas Y é uma grande ópera dramática de quem acha que um mundo dominado por mulheres seria o paraíso ou não.

Uma narrativa de linguagem nada linear.

Uma narrativa de linguagem nada linear.

A Guerra Invisivel Contra a Alienação – Os Invisíveis

Caos, anarquismo, revolução, misticismo, violência e alienação; essas seriam as palavras que definiria Os Invisíveis de Grant Morrison. Grant Morrison é um dos grandes escritores de quadrinhos para DC, Marvel e Vertigo, sendo responsável por escrever mini séries do Superman, Batman e atualmente Os Novos X-Men. Começou sua carreira de sucesso com Zenith, aonde desconstrói o gênero dos super-heróis, só que seu maior trabalho e muito elogiado pela critica é Os Invisíveis.

Os Invisíveis nos apresenta um mundo dominado pela alienação e conformismo, com uma ração “alienígena” de outra dimensão que move as cordas que nos controlam, e seus antagonistas conhecidos como Os Invisíveis, um grupo anarquista que planeja derrubar essa falsa impressão do mundo, colocada diante dos nossos olhos. Sua história usa dos mais variados artifícios como viagem no tempo, a Revolução Francesa, faz referências a personagens históricos, literatura, música e misticismo, fazendo paralelos com a nossa realidade, demonstrando como está história ficcional se aproxima da nossa realidade. Apesar de sua criação ser na década de 90, sua abordagem nos assuntos sociais é bem atual até hoje, mostrando uma sociedade alienada e cega perante a verdadeira realidade das coisas. Seus personagens são bem peculiares, tendo um adolescente revoltado e destruidor (Jack Frost), um travesti brasileiro ligado ao misticismo inca e asteca (Lord Fany), uma viajante do tempo com poderes psíquicos (Ragged Robin), uma ex-policial que tem o irmão raptado misteriosamente pela ração alienígena de outra dimensão (Boy) e um assassino com poderes mágicos (King Mob). Cada personagem tem sua importância no desenvolvimento da história, fazendo com que a história tome certas direções. A narrativa de Os Invisíveis não é linear, algumas vezes soa confusa, porém, se você tiver uma leitura mais apurada, irá perceber que há muito mais por trás da história do que se imagina.

A descontrução de um conceito de herois.

A descontrução de um conceito de herois.

Os Heróis da Realidade – Wachtmen

Este é a maior e mais bem elaborada graphic novel já criada em todos os tempos (na minha humilde opinião). Por causa desta opera gráfica o formato dos outros quadrinhos mudou completamente, sendo abordado assuntos de esfera adulta, muitas delas com criticas profundas a realidade. Seu escritor é um dos melhores roteiristas para quadrinhos da atualidade, seu nome é Alan Moore. Responsável pela criação de outras histórias de sucesso como Monstro do Pântano, Miracleman e outra de grande importância V de Vingança.

Wachtmen narra a história de um mundo aonde os super-heróis existem realmente na nossa realidade, colocando sua influência em nossas vidas. Tudo se passa nos anos 80, os EUA ganha a guerra do Vietnam graças a ajuda do Dr. Manhattan (que seria uma espécie de super-homem), Nixon é reeleito presidente, mas a Guerra Fria continua acirrada entre EUA e URSS. Alan Moore nos transporta para esse mundo que só concebemos na imaginação, heróis falíveis, com suas fraquezas e problemas pessoais, deixando eles mais humanos, desconstruindo aquele herói invencível e moralmente infalível. Quando se vai lendo as páginas, se percebe a similaridade com alguns personagens famosos dos quadrinhos, como por exemplo, o Coruja, que seria o Batman. Além de fazer está referência, Wachtmen mostra algo muito além do que mera historinha em quadrinhos, apresenta várias teorias e filosofia, como a teoria do caos, paradigmas filosófico sobre a existência humana; sua arte também é algo a parte, tanto que uma coisa que chama mais atenção (isso só na versão americana) é a capa, que tem um relógio que marca o inicio da guerra atômica (marcado para meia noite), em cada capa de cada capítulo o relógio vai se aproximando da meia noite. Wachtmen é uma epopéia do ser humano, como aquele que mais admiramos pode ser a pessoal – o herói – pode ter seus valores deturpados e suas fraquezas expostas, e desta desconstrução sair um ser melhor que fora antes.

A cultura pop em evidência.

A cultura pop em evidência.

Reconstruindo a Cultura Pop – Planetary

Este é considerado pela critica como a mais inteligente obra em quadrinhos da atualidade. Mas o porquê desse título? Para isso são duas respostas, começando pelo seu criador Warren Ellis, responsável por criar Trasmetropolitan. RED, Freqüência Global, Authority e outros, e a segunda resposta é que Planetary é uma viagem as coisas do mundo pop, com referências desde livros a filmes do século 20. Fazendo até alguns crossovers como Authority e Liga da Justiça.

O que significa Planetary? Planetary são os arqueólogos do impossível, são aqueles que buscam os mistérios do mundo. Sua história conta com personagens que vão em busca de coisas que não pensamos que existem, como monstros gigantes, fantasmas, viajante de outras dimensões e assim vai uma lista bem grande. Contando com os protagonistas, Elijah Snow, personagem que é recrutado pelo Planetary para buscar os artigos misteriosos; Baterista, que é um “buraco negro de informação”, Jakita, o músculo e velocidade do grupo.

O que mais chama a atenção nos números de Planetary são todos eles são histórias fechadas, com referências aos mais variados filmes, livros, quadrinhos e outras coisas que pertenceram em algum momento ao mundo pop, ou que se tornaram pop. Para mim este quadrinho foi um poço de enciclopédia para buscar novos conhecimentos sobre o mundo, sobre livros esquecidos, que eu comecei a ler, de filmes antigos para assistir, aprender sobre uma filosofia antiga sobre o mundo fantástico e quadrinhos que a muito tempo foram esquecidos e deveriam ser relidos. Planetary é a verdadeira viagem ao mundo esquecido da cultura popular mundial, mais uma vez revitalizado.

Uma obra memorável dos quadrinhos.

Uma obra memorável dos quadrinhos.

Potencializando uma Forma de Literatura

Estes quadrinhos que foram exemplificados, é só uma pequena parcela do que tem por ai no mundo. Eles demonstram a potência dos quadrinhos, na sua melhor forma, fazendo com que a literatura e arte gráfica se abracem de uma forma mais ampla, que também atraia aqueles que não gostam de ler livros para o mundo da leitura. Este não tão novo conceito de leitura pode – como na literatura convencional – fazer crítica política, social, econômica e etc., pode contar histórias fantásticas, contos de ficção cientifica e muitas outras histórias, além de fazer referência de livros, música, personagens importantes de uma dada época. Hoje com o advento das adaptações cinematográficas dos quadrinhos vem ganhando maior visibilidade no mundo, alguns instigado pela curiosidade vão às livrarias procurar as histórias originais comprando os encadernados. Os fãs de longa data dos quadrinhos não vêem com bons olhos as adaptações, acham que não está “fiel”, até mesmo autores – como Alan Moore – não gostam das adaptações de suas obras gráficas. Mas não vejo está situação neste ângulo, vejo que as adaptações (o mesmo serve para adaptações de livros) atrai novos leitores de quadrinhos, com boas adaptações deles poderá ser a alavanca para mostrar a verdadeira face dos quadrinhos como uma nova potência na literatura.

Fonte sobre a História dos Quadrinhos: Fanboy

Aprendendo a Apertar Parafusos

marcel-duchamp

Duchamp (na minha opinião) representa bem essa situação pós-moderna da técnica.

Está semana eu me deparei com uma coisa que já ouvia falar fazia um bom tempo. Uma coisa que é muito pertinente sobre educação superior no Brasil, que vem chamando a minha atenção sobre certos condicionamentos da vida pós-moderna, é o ensino tecnológico “superior” e o ensino acadêmico padrão (ou bacharelado). Hoje em dia, a busca pelo ensino superior vem crescendo principalmente no Brasil, isto por causa de duas situações, a qualificação profissional e a maioria das pessoas querem se sentir “superiores” a nossos pais ou a outras indivíduos que apenas se formaram no ensino médio, se achando imortais perto dos pobres mortais que não tiveram a mesma oportunidade. Um grande equívoco! Porque metade dessas pessoas se acha mais inteligente e capazes por estarem no ensino superior e porque lêem Paulo Coelho, O Segredo, Augusto Cury e outros pseudo-escritores. Mas não vamos discutir aqui o gosto da leitura suspeita e sim falar do momento da educação e sua forma mercadológica de ser usada.

Hoje no Brasil o curso de tecnólogo vem crescendo com grande velocidade, e por dois motivos: um é sua facilidade de aprovação e seu curto período de curso. Enquanto o curso acadêmico de bacharel é mais logo e de difícil aprovação. Além de que nos cursos tecnólogos se tem o conteúdo dirigido para o mercado, para as atualidades requeridas na função do setor. Porém, o que se aprende nele nada mais é que aprender a apertar um parafuso e não a função do parafuso na tal estrutura (além de aprender a apertar o parafuso), não se forma um cientista na área e sim só mais um peão de obras, como um pedreiro sem ensino médio ou um auxiliar de produção de chão de fábrica (não desmerecendo o trabalho dessas funções, é claro), no fim a pessoa se forma – como se diz no linguajar popularmente acadêmico – um peão com diploma. Não tiro o mérito da função social do ensino superior tecnológico, porque ela fecha a lacuna do desemprego estrutural no país, mas isso não é nenhum grande mérito de um país que busca tornar-se desenvolvido educacionalmente. O tecnólogo banaliza certas profissões, transformando certos tipos de trabalho em meras linhas de produção, aonde sempre terá alguém que substituirá o funcionário insatisfeito por outro em busca de trabalho, aceitando um salário baixo que não condiz com o valor real à ser pago.

Um exemplo recente que vem acontecendo é no setor de TI, setor qual antes vinha enfrentando uma série de problemas de qualificação, com o emprego centrado naqueles que possuíam experiência, mesmo sem diploma. Com o “boom” dos tecnólogos, o mercado saturou-se de profissionais diplomados, mas com pouco ou nenhuma experiência ou conhecimento para desenvolvimento de novas tecnologias e processos.

Isto é apenas um exemplo de um setor e existem vários outros com o mesmo problema de vulgarização e saturação na estrutura do trabalho que vem acontecendo no Brasil. O empregador (ou o burguês) vê isso dessa forma: “Se você não quer trabalhar, tem um morto de fome que vai aceitar esse trabalho no seu lugar e vai fazer o trabalho do mesmo jeito que você”, marginalizando a profissão e desmerecendo o profissional em si. Atualmente é algo que acontece muito em muitas empresas. Não desmereço a potência dentro do curso técnico ou tecnólogo, ele vem de, certa forma, para curar uma doença da falta de mão de obra qualificada, contudo quando a doença está curada, não há mais necessidade de mais remédios. Remédios em demasia causa algo muito pior, a overdose.

Muitos de nós precisam ver tudo isso de um outro ângulo, enxergar que não temos que nos limitar em ser apenas apertadores de parafusos, deixar de sermos só mão de obra qualificada, caindo na mediocridade. É necessário que nos tornamos algum além disso, temos que nos converter em cientistas, nos transformar em seres além da qualificação, sermos seres pensantes, seres aqueles que  transformam a realidade. São cientistas que transformaram e transformam o mundo, tornando-o mais compreendido e menos supersticioso. Não temos que ser medíocres com nossa educação, não temos que ser apenas peões no tabuleiro, podemos ser todos reis, e são reis que transformam o mundo.

O Cachoeira que Sabia Demais

Enquanto não sai o artigo sobre as revoltas pelo mundo a fora e a Europa rachando no meio ou melhor, mergulhando num grande buraco que ela mesma criou.Vou escrever sobre o caso famoso da mídia brasileira O Caso Cachoeira e seus amigos metralhas – como diz a Veja – a qual foi aberto uma CPI para apurar os fatos. Venho acompanhado esse assunto por bastante tempo, mas só lendo por mera curiosidade e vendo como isso vai terminar. Mas agora fiquei meio instigado a escrever sobre o fato e colocar alguns pontos que penso.

Tudo começa com Carlos Augusto de Almeida Ramos, o bicheiro Carlinhos Cachoeira sendo investigado pela PF na operação Monte de Carlo, foi grampeado e gravado conversas com o então senador de Goiás Demóstenes Torres, onde lhe dá informações sobre os Três Poderes e recebe alguns favores do bicheiro. Isso causa um efeito cascata que vários políticos estariam envolvidos em tal escândalo. Cachoeira está intimamente ligado ao jogo ilegal, pagamento de propina para ganhar favores e conseguir um pedaço do bolo do PAC. Ele é um grande empresário e bicheiro, dono da construtora Delta e dono de caça níqueis e jogos ilegais. Estava sendo investigado pela PF a pelo menos dois anos. Nas investigações foi descoberto conversas entre Cachoeira e outros políticos, sendo um deles Demóstenes Torres (ex-Dem e agora sem partido algum). O ex-senador Demóstenes recebeu R$ 3,1 milhões e forneceu favores ao bicheiro. Um desses favores foi auxiliar a construtora Delta a ter responsabilidade na maioria das obras públicas do PAC. Denunciado, Demóstenes foi intimado a dar explicações, o que demorou demais para acontecer. O que houve depois? O DEM fez o que era óbvio para não manchar mais o seu partido, moveu uma ação que dava a expulsão do ex-senador do partido. Antes que houvesse se concretizado tal ato, Desmóstenes saiu do partido o quanto antes e saiu da cadeira do senado. Cachoeira foi preso por contravenção e foi ai que todos os políticos ficaram em pânico e começaram a correr para salvar suas vidas, porque seria aberto a CPI para apurar os fatos das denúncias feitas sobre Cachoeira e companhia. Como sempre, quando cai um, cai todos, todos que não tem as costas quentes caem (nunca há lealdade no meio da política).
O PT, não agindo tolamente, começou a arquitetar um processo da CPI mista, aonde ela poderia ter a maior parte do controle sobre os assuntos discutidos na CPI. Porém as coisas não saíram como o PT planejou. A CPI começou a investigar o caso não em âmbito do DF, mas sim nacional, sobrando até para o PT. Isso fez com que a Veja, ou melhor, um dos editores da Veja, Roberto Civita tem envolvimento com Cachoeira, tenha que dar explicações sobre certas conversas entre ele e o bicheiro.

Não irei me fixar sobre as denúncias e o andamento da CPI (é só acompanhar as notícias diárias), só dei um breve explanação para entenderem um pouco o geral da situação. Vou me fixar na parte essencial, isso quer dizer, na parte política e midiática da situação.

A Veja está envolvida no caso pelo fato de ter recebido várias informações de Cachoeira sobre denúncias de fraudes de empresas, sendo que algumas dessas competiam com ele no campo empresarial, e delatou políticos que apresentavam algum estorvo para o “progresso” e liberdade individual. Demóstenes foi um desses grandes ajudantes da justiça política, fazendo revelações contra vários políticos (especialmente contra os petistas). Tanto que Demóstenes fez várias denúncias contra o PT, revelou que o partido queria mandar nos meios de comunicação, anunciou que o partido planejava uma invasão de “ratos vermelhos” nas escolas e universidades e assim vão às denúncias. Foi até um dos políticos a querer entregar Cesare Battisti para a “justiça” italiana. Muitos brasileiros (principalmente a elite brasileira) apoiavam essas denúncias, viam-o como um político honesto, um homem de grande moral de justiça contra os corruptores. Só que ele se esqueceu que não podemos só falar e fazer relevações, temos que seguir esses nossos preceitos a qual bradamos justiça. A elite brasileira, acreditando nisso, acabou sendo “traída” por seu protetor, que foi pego num grande esquema propina e favores irregulares.

A Veja como uma revista de panfletagem política da direita, e sempre usando o jargão “liberdade de imprensa” (isso só quando lhe convém) apoiou as denúncias de Desmóstenes, mostrando como os petistas e comunistas são maus e comem criancinhas, colocando todos como os piores corruptores do mundo.  Só que o tempo passa e esquecemos que também podemos ter telhado de vidro, e acabamos não tendo argumento moral para falar do outro.  Agora a Veja diz que o envolvimento com o bicheiro era “visar e levantar denúncias que permitissem limpar o país dos corruptos”. Será que a Veja está tão preocupada em fazer denúncias? Então já que ela é tão ligada a fazer justiça, porque não fez as reportagens/denúncias sobre os esquemas de Cachoeira e sua ligação com políticos importantes? Por que ela, que tem um bom relacionamento com a PF não começou a cobrir o caso? Hipocrisia? Será? Agora para chover no molhado, ela revive o caso do Mensalão (um caso que há várias interrogações nas denúncias), falando que a convocação do seu editor-chefe do DF para responder algumas perguntas sobre a sua ligação com Carlinhos Cachoeira, na verdade é um estratagema do PT para derrubar sua credibilidade e ofuscar o julgamento do mensalão (na verdade, querendo passar por bom moço), se utilizando o artigo constitucional do Direito de Expressão. Mas esquecem que direito de expressão não é a mesma coisa de alterar verdades e manipular reportagens para próprio beneficio e dos outros. Ela só usa isso quando lhe convém, porque em outros momentos faz perseguições que beiram ao autoritarismo a políticos e organizações privadas. Vide o Fernando Collor e Palocci que sofreram essas perseguições. E antes que pensem, não, a revista não deu margem para eles se deferem em nenhuma de suas publicações. Neste momento eu pergunto: Cadê o direito de expressão tão almejado por eles? No fim a revista caiu em seu próprio jogo de manipulações.  Podendo perder a credibilidade (a muito perdida) e até ser traída por aqueles a qual ela ajudou se promover e os que á promoveram suas reportagens.

As implicações disso é que haverá uma reviravolta muito grande dentro do cenário político, uma vez que o PT foi vítima da direita, logo da Veja,  o jogo se inverteu. O PT vai agir de forma que podem para colocar a Veja e seus colaboradores contra a parede (como aconteceu com eles em 2006), se isso será legítimo? Duvido muito. Como a CPI está cada vez maior, por causa da grande quantidade de políticos e entidades envolvidas, vai acabar sendo um show de escândalos dos poderes públicos e privados, com todos se entregado uns aos outros. Isso me lembra o finado Paulo César Siqueira Cavalcante Farias, vulgo P.C. Farias. Será que Carlos Cachoeira vai acabar que nem ele? Num quarto de hotel com uma amante e uma bala na cabeça dos dois. Já imagino a Veja noticiando: “Carlos Cachoeira é morto pela amante em quarto de hotel. Os especialistas dizem que Cachoeira foi assinado pela amante que depois cometeu suicídio. Cartas mostram que o crime foi motivado por ciúmes…” Se terminar assim pelo menos será mais divertido pensar em teorias da conspiração.

Agora é aguardar e ver que lado vai ceder primeiro. Por enquanto os acusados e íntimados, estão conseguindo se esquivar. Vai ser um “caça as bruxas” de um lado e de outro, mas pode ser que termine em pizza ou em macarronada, você que escolhe a comida, porque no fim que paga somos nós.

Obs.: Para aqueles que não sabem, o atual editor-chefe da Carta Capital foi o editor da Veja em sua época de ouro.

Senso Comum, Midia e Alienação

Faz um bom tempo que eu estou querendo escrever sobre esse assunto. Queria aguardar um pouco mais para poder escrever sobre isso, para me sentir seguro do que iria escrever e acho que agora é o momento que prova muitas coisas que penso e falo, sobre o senso comum, mídia e alienação. O senso comum é manipulado pela mídia, que a tal opinião pública na verdade não existe, é pura reprodução do que está na televisão, revista e jornais de ampla distribuição. Sendo no fim, as pessoas se limitando ao que apenas vê nesses meios de comunição e nunca buscando mais informações. Tornam-se limitadas e no fim tudo isso vira ignorância e preconceito ao que é diferente.

Vamos começar explanando sobre alguns acontecimentos importantes que viraram notícias nesses último 6 meses. Começando com a cobertura sobre a invasão da reitoria da USP, pela causa da prisão de alguns jovens por fumarem maconha no campus.

O caso da USP

Em 2011 houve a invasão da reitoria da USP pelos estudantes, na sua maioria da área de humanas. Na mídia da “opinião pública” noticiaram que tudo começou com a prisão de três estudantes que portavam ou fumavam (a parte do “fumavam” nunca ficou clara) maconha no campus. Quando houve a prisão deu inicio a confusão no campus, policia de um lado e estudantes de outro, assim ocasionando uma batalha campal, acabando com gás lacrimogêneo, cassetetes e feridos. Cuminando com isso a invasão da reitoria.

Agora vamos com o que a mídia de grande circulação noticiou e com o que se sabe que realmente aconteceu.

Realmente houve confusão pela prisão dos estudantes portando maconha, uns dizem que a policia foi truculenta e outros dizem que não, que ela só estava cumprindo com o seu papel. Porém este ponto está meio escuro, ninguém na verdade sabe o que aconteceu exatamente e não há como se ater nisso. A midia de grande circulação noticiou que a invasão só aconteceu porque os estudantes queriam a liberação da maconha dentro do campus. Ledo engano para quem pensa assim. Claro que havia estudantes que queriam a liberação da maconha, não iremos ser hipocritas nesse ponto, mas a real motivação da invasão vem de muito mais acontecimentos anteriores.

Está situação vem se arrastando desde 2006 com a invasão da reitoria pelos alunos, isso ocasionado pela a não eleição que teve na USP. O reitor João Grandino Rodas foi colocado dentro da reitoria, não tendo uma votação democrática,  como Alckmin dizia sobre “uma aula de democracia” nesta última invasão, resumindo, ele assumiu a cadeira de reitor ilegitimamente. Com isso houve um protesto dos estudantes da USP contra tal fato e no fim, terminou com a policia invadindo o campus e distribuindo cacetadas e gás lacrimogêneo contra os estudantes, autorizado pelo reitor. Detalhe importante Rodas é considerada persona non grata na universidade de São Francisco da faculdade de direito, por mais variados motivos arbitrários. Um destes motivos foi de uma repressão de um manifesto pacifico de estudantes do curso de direito. Rodas autorizou a policia entrar no campus e prender os manifestantes. Além disso está intimamente envolvido com a ditadura militar e com desaparecidos na época, fora várias acusações de corrupções e desvio de verba. A prisão dos estudantes  foi apenas o estopim para tudo que estava sendo acumulado de alguns anos, precisou de um pouco de fogo e assim o barril explodiu e acabou com a invasão da reitoria pelos estudantes da USP.

A midia adorou o episódio e começou a noticia-la como sendo um manifesto pró-maconha, mostrando faixas de estudantes brandindo alguns cartazes pela legalização da maconha e só focando alguns estudantes que apenas queriam fumar seu baseado em paz. Mas quem estivesse lá via que a coisa era bem diferente, tinha muitos cartazes contra o reitor e as reformas institucionais arbitrárias impostas pelo governo, havia muitos estudantes querendo uma universidade mais democrática e que fosse de de fácil acesso para todas as camadas sociais, principalmente pelas camadas mais baixas. A rede Globo queria colocar os estudantes invasores como maconheiros, filhinhos de papai que queriam se passar por revolucionários, como se fosse meros desocupados.  No fim tudo acabou com a humilhação publica dos estudantes com a desocupação da reitoria feita pela policia, sendo que só a rede Globo teve acesso primeiro ao local, falando que foi tudo muito “tranquilo”. Assim o senso comum adotou o velho discuso conservador: Que esses estudantes tem que tomar pau da policia mesmo; bando de maconheiros; despertando alguns outros conservadores furiosos das redes sociais, que repetiam as mesmas coisas. Mais uma vez o senso comum caminhou para o conservantismo e se limitou no que a midia noticiou e não procurou além disso, vendando os próprios olhos para a verdade.

Caso Pinheirinho

Esse é o mais recente e muitos devem se lembrar bem como que foi a desocupação do Pinheirinho. Foi um espetáculo televisivo acompanhado pelo Brasil inteiro, com a policia despejando todos os moradores que já viviam à 8 anos no local, e mais uma vez, quem teve acesso ao local foi a famosa rede Globo, que tiveram um carro de uma associada incendiado. Quando foi transmitido a notícia, apenas foi mostrado que o Governo de São Paulo só estava cumprindo com o seu papel como estado e cumprindo a “lei”. O que poucas sabem que o ato de despejo foi suspensa pelo TRF (Tribunal Regional Federal) e o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, comentou que a policia cometeu um grave erro em dar continuidade no processo.

Vou comentar alguns pontos sobre a situação do despejo, mostrar alguns fatos que não foi para os grandes noticiários.

Um ponto foi já dito anteriormente, que é sobre a suspensão do TRF. Conversei com um amigo que esteve lá, perguntei sobre se chegava conta de luz, água e sabe qual foi a resposta, “sim, sempre chegava as contas nas casas dos moradores”, se chegava as contas como o governo de SP e os orgãos não fizeram um acordo para legalizar a situação do local? Simples. Interesse da elite. O estado não queria legalizar porque queria reaver o dinheiro perdido com a Selecta S/A (massa falida), não havia interesse em legalizar o local para elite. Sendo legalizado o estado ganharia muito mais com o IPTU arrecadado. Mas não houve diáologo da parte da prefeitura, nem do governo de SP. Seu interesse estava em despejar mais de 8 mil pessoas, e passar o terreno para uma empresa privada, visando só o interesse da elite e dos próprio bolsos.

Um fotografo de outro jornal de menor circulação conseguiu se infiltrar no meio da desocupação e começou a tirar várias fotos do conflito entre policia e moradores. Várias fotos mostravam policiais com fardas sem identificações, usando luvas pretas e armas de fogo em punho (detalhe, as armas não estavam municiadas com projeteis de borracha), e usando da truculencia para desocupar moradores que não queriam abandonar suas casas. Quando a policia se deu conta que não era um jornalista com carta branca para tirar fotos a policia começou a perseguição do fotografo que felizmente conseguiu escapar e as fotos foram para em alguns sites, mas nem todos sabem delas. Foram ofuscadas pelas “espetaculares imagens” da rede Globo e Cia.

Agora temos o aparecimento de abuso sexual da policia denunciados por Eduardo Suplicy, e relatodos por moradores. Depois de muita culpa jogada nas costas um do outro, apareceu os policiais que tinham cometido os abusos sexuais. E a televisão (para fazer a sua parte) deram uma pequena nota para noticiar, mas sem o espetáculo como no foi no Pinheirinho.

Caso da Greve dos Policiais na Bahia

Sobre esse assunto vou ser breve, já que é o mais recente de todos. O carnaval na Bahia foi quase que sabotado pelos policiais grevistas. Está greve foi um prato cheio para a rede Globo, Record, Band e SBT, porém a Globo foi a que teve o maior acesso as informações e conseguiu noticiar a situação com a maior cobertura, e com sua “imparcialidade”. Mais um vez os grevistas foram colocados como os “comunistas comedores de criançinhas”, petistas (ou para alguns pelegos) e vagabundos que não tem nada para fazer. Tudo foi noticiado de um lado da questão, do lado do estado da Bahia, não sendo visto o lado dos policiais de greve. O pior de tudo foi mostrar que os grevistas estavam usando as famílias como um tipo de escudo para a ocupação da Assembleia Legislativa, além disso, a greve foi considerada ilegal, e algum tempo depois alguns policiais foram presos por fometarem a greve no RJ e SP.

Primeiramente greve é direito constitucional de todo o trabalhador, sendo ele de empresa privada ou pública, então aonde está o direito da greve? Se o sindicato da categoria não apoiar a greve, porém, se 75% (essa informção não é exata, mas é assim que funciona) aderir a greve, a greve se torna legitima. Prender policiais por fomentar greve é contra lei e é o direito do trabalhador de expressar sua insatifação sobre o trabalho exercido que é mau remunerado. Isso são fatos que ilustram bem como podemos ser miopes sobre certas coisas noticiadas. Nada é o que parece ser.

Do senso comum à alienação

Nosso problema começa com a criação dos grandes meios de comunicação modernos aqui no Brasil. Na ditadura militar a rede Globo cresceu (cresceu pois era a única que tinha equipamentos de ponta – que só existiam nos EUA e Europa – numa época em que importações eram vetadas. Como conseguiam tais equipamentos se não pelas mãos do governo?) e aproveitou o momento para se impor como a mídia de imparcialidade, noticiando os principais fatos, querendo mostrar a opinião pública. O senso comum, a massa, como não tendo muita “opção” em que acreditar, preferiram acreditar na mídia. Naquele tempo a mídia, de certa forma, era de confiança. Com a ditadura militar muita coisa mudou. Há quem diga que foi culpa dos militares, mas não, foi tudo orquestrado pela elite brasileira e estrangeira. Tudo por causa da “infestação vermelha”.  Inclusive a queda da ditadura e as diretas já foram fomentadas pela Globo, baseada em interesses pessoais…digamos assim, um cara subiu em uma cadeira, juntou um bando de caras pintadas e tirou uma foto que circulou o país, fazendo com que mais e mais pessoas aderissem ao movimento.

Hoje nos tempos mais conteporâneos as coisas não são muito diferentes quanto a isso. A massa continua sendo apática as coisas além de suas casas, não se interessam por nada que não seja da sua vida particular, sempre delegando os seus diretos a outros, e principalmente acreditando no quê é noticiado por ai nos grandes meios de comunicação. Fazendo que o seu senso comum seja alienado e manipulado por mais variadas mentiras, como diz aquele ditado nazista: “Uma mentira repetida várias vezes, se torna verdade”. Mesmo que essa verdade não pertença a realidade dos fatos. Em parte isso não é culpa das pessoas, porque os meios de informação pertencem aos grandes empresários, a culpa do senso comum adotado pela massa é a sua indiferença sobre as coisas que os rodeiam, deixando-as omissas, e o pior tipo de pessoa não é a que tem uma posição, pois essas você sabe aonde estão e o que pensam, mas as omissas, das quais você não sabe nada e podem falhar, dar as costas nos momentos mais cruciais. Este senso comum tem que acordar para verdade, olhar além dos muros que os cercam, se livrar dos grilhões da alienação, deixar de serem apenas gado indo para o matodouro. Devemos buscar novas alternativas para nos informar sobre os fatos, hoje com a internet há como fazer isso. Nem tudo pode-se confiar, mas buscando com cuidado, indo além e usando um pouco de intuição para buscar as informações necessárias sobre os fatos.

Enquanto muitos de nos ficarmos apáticos, nada vai mudar e normalmente vai piorar. Como foi visto no caso Pinheirinho, tudo o que aconteceu lá é um resquicio de ditadura militar, que sempre está a espreita para emergir novamente, com auxilio da mídia a fomentar esses alicerces baseados em “ordem e cumprimento da lei”. O senso comum tem que ser mudado, para não cair nas mentiras que são repetidas pelas redes de notícias que dizem expressar a opinião pública, essa mudança começa começa com a dúvida, questionando, buscando outros meios de saber os fatos, pois assim sairá da alienação e irá ver através dos muros. Questione toda autoridade!

Indicação de um jornal que mostra o outro lado (leiam!): Vice

Uma Nova Caça as Bruxas

O cigarro a muito tempo atrás foi símbolo de status, algo elegante e bonito. Não era atoa que muitas figuras importantes fumavam, como: Orson Wells, Marilyn Monroe,  Jean Paul Sartre, entre outros. Podendo fumar livremente em qualquer lugar, até mesmo apresentando um tele jornal, como no filme “Boa noite, Boa sorte”. Hoje as coisas mudaram, hoje o cigarro é o arquinimigo da sociedade. Os “bons cidadãos” querem que os fumantes parem de fumar e que o cigarro seja banido dela. Concordo que nem todos gostam de fumar ou ficar respirando fumaça, porém, a campanha contra o cigarro anda passando dos limites.

Nos últimos tempos vendo os tele jornais, propagandas em televisão, outdoors e outros tipos de marketing apelativos contra o cigarro. Percebo que se criou uma luta contra o tabagismo que algumas vezes vale até mentir descaradamente para convencer alguém a não fumar. Antes era só pequenas propagandas contra cigarro, sobre seus males e doenças que pode causar, agora, se faz sutilmente (é o que percebo) uma propaganda contra o fumante. Com isso veio uma nova onda de preconceito contra os fumantes. Não duvidaria que tudo isso pode levar a um tipo de ditadura da “boa saúde”, e fumantes sejam maus vistos (o que já acontece de forma sutil) pela sociedade, como párias. Hoje até novelas de televisão fazem apologia contra o cigarro. Agora paramos para pensar, e vejamos os alguns fatos.

De um lado está os fumantes, alguns fumam porque sente um certo prazer, e do outro está os paladinos da saúde que estão contra o cigarro e pelo visto contra os fumantes. Nos últimos tempos há cada vez mais um intolerância contra o fumante, cada vez se faz leis contra os fumantes. Com a desculpa que se faz leis contra o tabagismo para salvar os cidadãos do vício do cigarro, e o velho blá, blá, blá de sempre.

Primeiro começaram com uma divisão dentro de alguns estabelecimentos, com áreas de fumantes e não-fumantes. Depois veio a exclusão destas áreas de fumantes e só poderia fumar ao ar livre, mas existiam alguns lugares como casas noturnas, pub’s, bares e até restaurantes que ainda se autorizava fumar no interior destes. Porém alguns estados adotaram leis contra o uso do cigarro em lugares fechados e os fumantes teriam que sair para fumar, sempre do lado de fora dos ambientes frequentados.

Se o cigarro faz tão mau assim, por que ainda tantas pessoas continuam fumando?  Por que há algumas pessoas mesmo com tanta propaganda contra acabam se tornando fumantes? A resposta é simples : estás propagandas estão perdendo o sentido, suas campanhas não é mais contra o cigarro, o ataque agora é contra o fumante.

Cada vez mais as pessoas criam este preconceito contra os fumantes, pensando que estão se dirigindo contra o cigarro, usando a desculpa que querem salvar o indivíduo contra o vício do cigarro. A verdade é que estas pessoas estão é contra o próprio fumante, não percebem que algumas vezes são impertinentes e se acham no direito de agir de forma indevida com o fumante. Repetindo a mesma ladainha da mídia do senso comum.

Estes tais paladinos da saúde tem que se concientizar que hoje sua luta contra o tabagismo é uma luta que pode passar do limites, sendo que está passando, e está mais canalizada num tipo de preconceito contra o fumante. Algumas vezes eu penso que na verdade esse preconceito contra o fumante é para fechar a lacuna de outros preconceitos que agora são punidos como crimes. Como não existe mais onde os preconceituosos descontarem suas frustrações, elas descontam seu preconceito contra o fumante. É algo a se pensar.

A Ficção Cientifica Clássica e o Cyberpunk

A ficção cientifica, nesta época, é um gênero literário pouco explorado pelos leitores (não todos, é claro) e pouco procurado por outros leitores mais leigos, e poucas vezes me deparo com pessoas que leem este tipo de literatura, que é tão rica e visionária. Na verdade, nunca encontrei ninguém que tivesse algum contato com ela, nem as leituras mais famosas, como: Eu, Robô, Star Trek, 2001 Uma Odisséia do Espaço, Duna e entre outras. Mesmo com a renovação da ficção cientifica, o movimento literário cyberpunk, hoje ela anda meio esquecida. Sendo que nos anos 60 até o fim dos anos 70 foi uma literatura de ponta e bem vista pela academia e crítica. Nos anos 80 veio a renovação do gênero, com alguma resistência dos mais conservadores, mas houve a revolução da ficção cientifica, o Cyberpunk.

Vou traçar aqui um breve histórico de cada estilo de literatura e sua importância no mundo literário.

Isaac Asimov escreveu sobre a história da ficção cientifica, divindo-a em três partes. Seus escritos sobre esta história é, de certa forma, filosófica, e traçado a idéia do mundo fantasioso desde das épocas remotas quando se contavam histórias mitológicas ou histórias para assustar mentes mais débeis. Aqui não irei me ater a isso, começarei do seu princípio, quando a ficção cientifica começou a ser escrita de forma como conhecemos.

A ficção cientifica é bem mais antiga do que aparenta ser, começando com Julio Verne. Julio Verne foi um grande visionário para sua época, seu estilo era extramente rico em detalhes e sua imaginação ultrapassava os limites da tecnologia da época. Em suas obras relatava sobre aventuras em lugares exóticos e suas tecnologias empregadas. Uma de suas “invenções” mais famosa foi o submarino do seu celebre “20.000 Léguas Submarinas”. Deste livro foi tirado o conceito do submarino moderno. Além disso previu a invenção de variados dispositivos, como o foguete e o avião. Com Júlio Verne há um novo tipo de literatura, um estilo que fala do futuro, e não histórias fantásticas cheias de misticismo e mitologia.

Contemporanêo de Júlio Verne vem H.G. Well, foi historiador e jornalista, escreveu vários livros, alguns retratavam o sentimento que ele e a população possuía perante governantes e condição social. Herbert George Wells não foi visionário como Verne, porém, ele alcança um novo patamar da ficção cientifica. H.G. Wells escreveu várias obras sobre utopias, onde começava com algum tipo de catástrofe e no fim os personagens dão as mãos e juntos fazem um mundo perfeito. Mas não é só de mundos perfeitos que Wells escreveu, depois de perceber algumas experiências sociais funestas, começou a escrever algumas distopias, onde os personagens tem uma vida “normal” e acabam por perceberem que vivem em um tipo de prisão sem grades, se rebelam ou descobrem a verdade e no fim, morrem ou são domados pelo sistema vigente. Seus livros fazem um paralelo com a realidade, mesmo se passando no futuro, seu estilo fazia uma reflexão sobre a história humana e uma análise social e antropólogica.

E depois de H.G. Wells de suas idéias distópicas, veio uma grande safra de leituras distopicas. Um dos mais conhecidos dentre os escritores é George Orwell (Eric Arthur Blair), no seu livro 1984, que conta a história de Winston Smith, um membro do partido do Grande Irmão, onde no seu íntimo começa a se rebelar contra o modelo totalitário do governo vigente. O Grande Irmão é uma figura paterna e salvadora, que se proclama o protetor do povo. O livro mostra como o fascismo (ou autocracia) pode ser perverso e controlador, como a dita unidade social que entrega o poder nas mãos de um tipo de salvador ou grupo, podendo com o tempo desvirtuar as leis, a ética e a moral, sem nem mesmo a população (na sua grande maioria) perceber tal mudança, os levando a uma cegueira brutal. O livro faz uma alusão ao o que se tornou a Russia depois da ascensão de Stalin no poder.

Orwell sempre foi militante do comunismo e simpatizando do anarquismo. Vendo o caminho que a Revolução Russa tomou também escreveu o livro “Revolução dos Bichos”, que poderia se classificar como um pequeno resumo de como a Revolução Russa começou e terminou. Como H.G. Wells, George Orwell fez um paralelo com a realidade no livro 1984, mostrando com o fascismo pode ser tão real quanto na ficção. Depois de Orwell começou surgir outros títulos sobre distopias. Os mais conhecidos e celebres são: Laranja Mecânica, de Anthony Burguess; Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley; Fahrenheit 451, Ray Bradbury. Estes outros títulos também são grandes obras literárias em relação a distopias, cada um mostrando as variadas faces do totalitarismo.

Os anos 80 foi a reviravolta na literatura de ficção cientifica, o mundo também estava mudando, com o advento do neoliberalismo, e grandes corporações privatizando estatais, grandes bancos se espalhando pelo mundo. Uma nova corrente literária vinha a nascer, fruto das distopias, o Cyberpunk. Com a ficção cientifica clássica entrando em “crise”, o movimento cyberpunk toma espaço e ganha notoriedade. O precurso deste movimento literário foi William Gibson, com o seu livro Neuromancer. Neuromancer conta com elementos do mundo hacker, inteligência artificial, cyberespaço e o submundo, além de trazer o estilo policial noir (que já existia). Quase todos estes elementos que eram novos para a época, principalmente a idéia do cyberespaço, um mundo virtual onde pode se conectar a ele e navegar fisicamente neste mundo, elemento que no filme Matrix é bem aparente (no livro o nome do mundo virtual é Matrix). O personagem do livro é John Case, um cowboy (termo usado no livro para designar hackers) que fazia trabalhos de obtenção de informação, e por tentar roubar seus empregadores, sofreu um envenenamento no seu sistema neural e não poderia mais se conectar a Matrix. Vivendo no submundo, em um lugar chamado Chiba City, tentando procurar uma cura para o envenenamento. A procura dele aparece Molly (personagem que lembra Trinity do Matrix), que diz a ele que tem a cura para o envenenamento, em troca Case tem que fazer um trabalho. Então com a promessa de cura, Case embarca na trama. Neuromancer abarca temas que hoje são bem atuais, como a internet, e alta tecnologia e uma divisão social bem ampla. Grandes corporações que mandam no mundo ou uma grande empresa tendo o monopólio de todo o mercado.

O livro quando foi lançado em 1984, teve uma crítica bem receptiva e foi premiado com o Nebula, Hugo e Phillipe K. Dick, que são os Oscars da ficção cientifica.

A ficção cientifica clássica criou um pouco de resistência contra a nova corrente do cyberpunk. No mundo cyberpunk, as viagens espaciais são quase que abandonadas, sendo um lugar  de alta tecnologia, sujo, violento e extremamente artificial. Enquanto que na ficção cientifica clássica, essa visão de mundo caótico de alta tecnologia é refutada, afinal, quanto mais tecnologia, mais qualidade de vida. Porém o cyberpunk alcançou de forma mais concisa o mundo que vivemos agora, ele avançou de uma forma sobre a vida humana. No cyberpunk fica bem aparente como a vida social mudou,  essa relação fica cada vez mais distante, onde uma classe social, ideologicamente dominante, é muito antagônica a outra. Desta antagônia sai a luta entre os dois lados. Este mundo artificial é um grande paralelo com a realidade, que hoje em dia é bem real. A busca por um corpo perfeito, silicones, cirurgias plásticas, mulheres de capas de revista com corpos perfeitos, no geral a industria da beleza, que nada mais é que algo artificial e vazio. O cyberpunk é visionário na tecnologia da internet. Que em muitos livros há variados uso dela, com nomes diferentes.

Atualmente cada vez mais nos aproximamos deste mundo cyberpunk, onde o mundo se torna cada vez mais artificial, onde o abismo de diferenças de classe aumenta mais e a violência se espalha por vários lugares.

Na ficção cientifica clássica avançaram em um ponto importante, as viagens interplanetárias. Toda está parte da ficção clássica foi cheias de viagens a planetas desconhecidos, colonizações de planetas ou galáxias inteiras, e explorações espaciais. Hoje também devemos a esses visionários que enxergaram muito além do seu tempo, sendo um destes exemplos o livro Duna de Frank Herbert. Livro que aborda viagens por dobra de espaço, meio ambiente, messianismo e política. Outro exemplo seria as ficções de Bradbury, envolvendo colonização de planetas, estão aparecendo como projetos da NASA para um futuro próximo.

Depois deste pequeno resumo da história da ficção cientifica, percebo que algo se perdeu no tempo. Hoje a leitura destes temas futuristas é pouco procurado. As pessoas preferem ler Crepúsculo, livros de auto-ajuda e outras pseudo-literaturas que abarrotam as prateleiras das livrarias. A maioria das pessoas que lêem não se importam que a literatura de ficção cientifica, porque acham que algo sobre o impossível, algo que não vai acontecer, algo inexistente. Mas vejam só como que é as coisas hoje em dia. Temos internet, celulares, televisão digital, notebooks e outros dispositivos eletrônicos que muitos achavam que nunca existiriam. A ficção cientifica é inventora e visionária, vai longe na imaginação, mas nunca esquecendo a realidade que o cerca.

Indicações para leituras:

Neuromancer – William Gibson

Piratas de Dados – Bruce Sterling

Eu, Robô – Isaac Asimov

Duna – Frank Herbert

Guerra dos Mundos – H.G. Wells

Volta ao Mundo em 80 dias – Julio Verne.

Para quem gosta mais de quadrinhos:

Transmetropolitan – Warren Ellis

RanXerox – Tanino Liberatore e Stefano Tamburini

Ex-Machina – Brian K. Vaughan

Para quem prefere filmes:

Matrix

Blade Runner

Ghost in the Shell

Equilibrium

Distrito 9

Laranja Mecânica

Nineteen Eighty-Four

THX 1138

Akira

Se não encontrarem os livros uma livraria próxima consulte este site: http://www.estantevirutal.com.br

Lá você pode comprar o livro em sebos online.

Por que Ultra Ultrapassado?

Sempre começamos com a mesma pergunta. Bom, é normal fazer assim, porque sempre há perguntas sobre o nome do blog, site, revista e etc.

Começamos então.

O nome Ultra Ultrapassado vem de um miscelanea de idéias que eu tive com um amigo meu de fazer um blog. Ele um dia veio e me pediu algumas idéias para nomes de blog, e eu com a minha “grande criatividade” teci um enorme emaranhados de palavras e junção de pequenas sentenças delas. Desta miscelanea de palavras estava Ultra Ultrapassado. Como eu gostei do nome, e o meu amigo não iria usar, deixei guardado em um .txt para usar em uma outra ocasião. Enfim está ocasião apareceu agora e resolvi usa-lo.

Agora vamos falar sobre o que o blog vai se tratar, de uma forma direta. Aqui vou escrever e discutir (se tiver alguém querendo discutir) sobre literatura diversas (menos Crepusculo, é claro), desde dos grandes clássicos até as “atuais”, mas só sobre as obras que já li e farei algumas indicações literárias. Também vamos falar de cinema, sobre filmes um pouco antigos e alguns poucos mais recentes. Haverá muito sobre quadrinhos. Falarei mais do selo Vertigo, que são quadrinhos dirigidos aos adultos, por exemplo Os Invisíveis (que terá um post sobre em breve). E teremos um pouco sobre contracultura, política, filosofia, imprenssa e história (sendo acadêmico de história, vou escrever algumas coisas relacionado ao assunto). No geral falarei de assuntos ultrapassados para muitos (do senso comum) e bastante atuais para a minoria.

Vamos as razões de fazer um blog.

Já a algum tempo estou para começar a exteriozar algumas coisas que eu penso sobre o que leio, vejo e sinto. Tudo começa aqui: Até ano passado fiquei morando (um ano) em Curitiba/PR e não tinha muito tempo para refletir sobre as coisas que me cercam, e por causa do curso pré-vestibular. Quando acabou essa corrida eletista (e fui demitido) e acabei não passando, voltei a ter tempo para fazer algumas atividades intelectuais, mas ganhei uma bolsa do PROUNI para PUC para fazer história. Porém no meio do caminho decidi voltar para Blumenau/SC e me formar em história. Alguma coisa tinha mudado dentro de mim e achei melhor voltar e terminar a minha formação aqui mesmo. Bom, sempre quis escrever sobre os assuntos que já citei acima, e agora que já (na minha opinião) tenho um pouco mais de carga literária bem variada e tempo de sobra (sem contar a preguiça) estou fazendo este blog. “Contrui” ele mais para sanar um desejo meu de querer escrever do que para escrever para os outros, e talvez também acabo por encontrar alguém que compartilhe da mesma opinião que eu. Mas nunca descartando as críticas, que para mim são bem vindas (sou bem receptivo a elas; desde que elas não sejam exdruxulas, é claro).

Bem é só, aqui estou sendo breve, muito breve. Mas dentro de 48 horas (espero) sairá um primeiro post, que será sobre literatura.

Até lá tenham paciência. E se futuramente eu escrever algo e ficar ou ficarem com raiva, me mandem email’s que lerei e responderei (isso se tiver alguém que vá ler).

Obrigado e boa reflexão.